A demolição do chamado Casarão Lima, registrada pelo perfil Casinhas GRU na semana passada, causou decepção entre historiadores e defensores do patrimônio histórico de Guarulhos. Localizado na avenida Monteiro Lobato, número 136, bem no centro da cidade, o imóvel particular construído na primeira metade do século passado tinha um pedido de tombamento registrado desde 2021 para que fosse preservado. No entanto, o poder público autorizou a demolição.
A reportagem do Guarulhos Todo Dia enviou à Comunicação da Prefeitura de Guarulhos um pedido de posicionamento. Mencionamos que o imóvel esteve sob análise para tombamento no âmbito do Processo Administrativo n. 48.324/2021 --essa preservação foi solicitada pela AAPAH (Associação Amigos do Patrimônio e Arquivo Histórico).
Fizemos os seguintes questionamentos: "A demolição foi autorizada? Existe alguma investigação em curso? Os proprietários do imóvel já informaram o que será construído no local?".
O Executivo municipal enviou a resposta abaixo, em posicionamento que compartilhamos na íntegra:
Prefeitura de GuarulhosA Prefeitura de Guarulhos informa que o processo final para a demolição do Casarão Lima seguiu à risca todo o trâmite necessário. É importante reforçar que o pedido foi formalizado pelos proprietários do imóvel, com a juntada de toda a documentação exigida pela legislação municipal. Quanto à Ação Civil Pública mencionada, informamos que aconteceu o pedido de desistência, sendo o processo extinto. Não há no processo menção sobre planos futuros para o endereço.
Em nota, a AAPAH criticou a demolição e a falta de interesse no tombamento do imóvel. "A Secretaria de Desenvolvimento Urbano emitiu um Alvará de Demolição sem a anuência da Secretaria de Cultura ou do Conselho. Chamar esse absurdo de 'falha no fluxo de comunicação' é um eufemismo intolerável. O casarão precisou vir abaixo para que descobrissem o 'erro'", publicou a associação, no Instagram.
O texto ainda menciona que havia um relatório técnico elaborado pela IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil - Guarulhos) e pela ASSEAG (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Guarulhos) que recomendava a preservação, que foi negada.
História do Casarão Lima
O professor Evanir Baptista Penna, que é historiador e guia de turismo, também fez publicações em sua página Visite e Conheça Guarulhos, no Instagram, para condenar a demolição. "A insensibilidade e o descaso com o seu valor histórico e arquitetônico decretaram o seu fim, juntamente com a voracidade da especulação imobiliária. Faltou mobilização da população, atenção do poder público e interesse do seu proprietário", escreveu o professor.
Penna explicou que o Casarão foi construído antes da década de 1950 e guardava características da arquitetura do começo do século 20, com o seu recuo frontal, ajardinamento, planta em L, beirais salientes e volumetria robusta. Destacou-se no processo de modernização e ocupação efetiva do centro de Guarulhos, a partir do eixo da Avenida Monteiro Lobato. A AAPAH (Associação dos Amigos do Patrimônio e Arquivo Histórico) havia entrado com um pedido de tombamento dele. Não deu tempo…", lamentou.
O site São Paulo Antiga, que tem uma publicação sobre a residência na avenida Monteiro Lobato, também relembrou outros imóveis de Guarulhos que foram demolidos nos últimos anos: "Ícones guarulhenses como o casarão e fábrica da família Carbonell, o casarão da rua Antônio Iervolino e, principalmente, o casarão da família Saraceni viraram pó por absoluta negligência dos prefeitos que estavam no poder nas gestões de 2000 a 2016".

