Das 298 lojas que serão fechadas no plano de recuperação judicial da Casas Bahia, uma delas está localizada em Guarulhos, no Internacional Shopping. Como consequência do encerramento das atividades no local, cerca de 40 funcionários serão demitidos. A informação foi confirmada nesta terça-feira (18) pelo Sindicato dos Comerciários de Guarulhos, que visitou as 17 lojas da empresa localizadas em sua base, que inclui também Arujá, Poá, Santa Isabel, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba.
"Após as visitas, o Sindicato constatou que apenas a loja do Internacional Shopping será fechada, com a dispensa de cerca de 40 comerciários. Segundo o que foi apurado pelo Sindicato, as demais 16 lojas continuarão abertas", informou o Sincomerciários, em nota.
Para o presidente do Sindicato, Edson Carvalho, o momento exige atenção e apoio aos trabalhadores atingidos. “Nossa maior preocupação agora é com os comerciários que perderão seus empregos. O Sindicato estará ao lado de cada um deles, prestando todo o apoio necessário e cobrando para que todos os seus direitos sejam respeitados”, afirmou.
Ao divulgar ao mercado que está endividada e pedir recuperação judicial na semana passada, a Casas Bahia não listou quais as 298 lojas da companhia seriam fechadas. Aqui em Guarulhos, a marca mantém unidades de rua em bairros como Centro, Vila Galvão, Taboão, Pimentas e Cumbica.
O encerramento da unidade no Internacional Shopping, em Guarulhos, e das outras 297 unidades espalhadas pelo Brasil é uma das principais frentes do que a empresa classificou para o mercado financeiro como a “Fase 2 do Plano de Transformação da Casas Bahia”.
- As 298 lojas foram selecionadas após avaliação de desempenho operacional abaixo do esperado, alto capital empregado e retorno financeiro insuficiente diante do alto custo de capital. O plano busca fechar unidades deficitárias para defender as lojas físicas que de fato geram valor.
- O anúncio oficial do encerramento das lojas físicas veio acompanhado da estimativa de demissão de cerca de 2 mil trabalhadores em todo o Brasil. A empresa separou R$ 502 milhões para custos de reestruturação geral, o que incluir, principalmente, gastos com readequação logística, indenizações rescisórias de pessoal e contingências de processos trabalhistas decorrentes da readequação de tamanho.

Casas Bahia em crise
A dimensão das dificuldades enfrentadas pela varejista ficou evidente com a publicação do balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2026. O documento expõe um prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões no período.
A necessidade de ingressar com o pedido de recuperação judicial ocorreu em meio à necessidade de renegociar uma dívida total estimada em R$ 17,3 bilhões. A administração apontou um cenário de forte aperto de crédito no varejo brasileiro, agravado por uma captação financeira internacional que não deu certo e pela retração no poder de compra das famílias diante das taxas de juros elevadas.
O grupo então implementou a chamada Fase 2 do seu Plano de Transformação. O principal objetivo é reduzir o tamanho da operação para focar na rentabilidade e preservar a liquidez. Entre as ações centrais está o fechamento das 298 lojas que dão prejuízo, estratégia projetada para elevar a margem de contribuição média das unidades remanescentes em 1,4 ponto percentual e ampliar a representatividade do crediário nas lojas ativas.
No campo operacional, o balanço trimestral registrou receita líquida de R$ 7,0 bilhões, alta discreta de 1,6% na comparação anual, e Ebitda ajustado de R$ 518 milhões, com margem de 7,4%. O fluxo de caixa livre atingiu R$ 800 milhões, auxiliado pela diminuição de R$ 685 milhões em estoques.
Agora, segundo a companhia, a gestão busca redimensionar suas despesas estruturais, renegociar contratos e vender ativos para garantir uma operação sustentável durante a tramitação do processo de recuperação na Justiça.

