Os passageiros de Guarulhos e da Região Metropolitana que dependem dos trens devem se preparar para uma terça-feira (4) difícil. Os funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) confirmaram que farão uma greve. A paralisação afeta diretamente os guarulhenses. De acordo com comunicado oficial divulgado pela CPTM, a Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto NÃO vão operar nesta terça.
O serviço emergencial de contingência acionado pela companhia prevê ações paliativas de operação nas linhas 11-Coral e 12-Safira, mas o plano não será capaz de manter em funcionamento o atendimento do ramal que liga a capital paulista ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A greve foi confirmada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB). Diante da paralisação dos serviços sobre trilhos e das previsões de transtornos ao trânsito, a Prefeitura de São Paulo anunciou a suspensão do rodízio municipal de veículos na capital paulista ao longo de toda a terça-feira.
Já a Linha 10-Turquesa da CPTM, assim como os ramais já concedidos e as linhas do Metrô, continuam operando normalmente.
O que os ferroviários pedem
A motivação da paralisação são as incertezas trabalhistas geradas pelo processo de privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade para a concessionária Trivia Trens.
Recentemente, as operações dos três ramais haviam sido devolvidas emergencialmente à gestão da CPTM por um período provisório de 90 dias por determinação da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e do governo estadual. A intervenção ocorreu após uma série de falhas graves e episódios como um incêndio registrado em uma das composições nos primeiros dias em que esteve sob responsabilidade da Trivia Trens.
Com o retorno temporário da estatal, a categoria fez uma mobilização para exigir garantias formais quanto à preservação dos postos de trabalho e manutenção dos seus direitos funcionais quando a gestão privada reassumir os ramais de forma definitiva.
Os ferroviários pressionam pelo apoio ao Projeto de Lei 730/2025, de autoria do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que autoriza a absorção e realocação dos cerca de 2.300 funcionários da CPTM por órgãos e entidades da administração pública direta ou indireta do Estado de São Paulo. Sem essa garantia, o sindicato alega que milhares de famílias correm o risco do desemprego com a consolidação da concessão.
Justiça do Trabalho
O TRT da 2ª Região concedeu, na noite desta segunda-feira (3), liminar que fixa o contingente mínimo de operação durante a greve deflagrada por ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Os trabalhadores deverão manter 80% do efetivo nos horários de pico (das 4h às 10h e das 16h às 21h) e 60% nos demais horários.
A decisão foi tomada em audiência de instrução e conciliação de dissídio coletivo, sob a presidência do desembargador vice-presidente judicial Francisco Ferreira Jorge Neto, com a participação dos juízes auxiliares da Vice-Presidência Judicial Luciana Bezerra de Oliveira e Gustavo Ghirello Brocchi.
Caso a paralisação persista, caberá às partes apresentar, até as 12h desta terça-feira (4/8), petição conjunta detalhando as medidas para garantir o atendimento às necessidades da população. Na ausência de acordo ou de cumprimento insuficiente, a multa diária será de R$ 1 milhão para a entidade sindical e de R$ 2 milhões para a empresa, revertidos a instituição a ser definida posteriormente pela Seção de Dissídios Coletivos (SDC).
O Regional determinou ainda a presença de um oficial de justiça nos Centros de Controle Operacional da CPTM, no Brás, a partir desta terça, para acompanhar o cumprimento da ordem.
O que diz o governo de São Paulo
Em nota oficial enviada à imprensa, a CPTM e a gestão do governador Tarcísio de Freitas lamentaram a decisão sindical de manter a paralisação do sistema. O governo estadual argumenta que a greve traz prejuízos diretos a milhares de estudantes, trabalhadores e passageiros diários e criticou o uso da população como forma de pressão política durante as rodadas de negociação.
A administração do Estado ressaltou que, em reunião realizada na véspera do movimento grevista com dirigentes sindicais, apresentou compromissos. Entre as propostas discutidas, o governo reafirmou a intenção de analisar projetos para a preservação dos postos de trabalho, incluindo a absorção de funcionários por outras estruturas estaduais, a possível incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão à estrutura da CPTM, e a inclusão dos servidores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).
Para conter os transtornos causados ao transporte coletivo, o governo paulista acionou o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou que a categoria garanta a circulação de no mínimo 80% da frota de trens nos horários de pico e 60% nos demais horários.
“As Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa estarão em operação regular, bem como todo o sistema metroviário, incluindo as linhas administradas pelo Metrô e pelas concessionárias. Para as demais linhas da CPTM, o plano de contingência já foi acionado com o objetivo de reduzir os impactos aos passageiros”, informa o governo estadual.

