Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, morreu aos 59 anos, nesta quinta-feira (1º), por complicações da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma rara condição neurológica que compromete o funcionamento do cérebro.
Nos últimos anos, Lito se tornou conhecido na internet pela divulgação de informações sobre aviação. Mecânico de aeronaves e piloto, ele transformou décadas de experiência profissional em um canal no YouTube, o Aviões e Músicas, que ajudou a aproximar o universo dos aviões do público em geral.
Defensor e entusiasta do transporte aéreo, Lito se dedicava a explicar em detalhes, por exemplo, as causas de grandes desastres aéreos e a evolução dos protocolos e procedimentos de segurança da aviação. Com linguagem simples e pedagógica para traduzir assuntos técnicos, ele se tornou uma figura muito carismática e popular nas redes, colecionando mais de 4 milhões de inscritos em seu canal e 4,7 milhões no Instagram. Também participou de programas de televisão e podcasts.
Natural do Rio Grande do Norte, Lito cresceu em Santos, no litoral de São Paulo, mas nos últimos anos era morador de Guarulhos, onde mantinha a Escola de Aviação Lito Aviation Academy, na rua Brás Cubas, no Maia. Apesar de estar 100% lúcido em suas últimas aparições públicas na internet, Lito já apresentava problemas na mobilidade e visão. Ele deixa a esposa, Mila Seidl, e o filho Malone, de 7 anos.
Morte de Lito Sousa
O anúncio da sua morte foi feito por meio de um vídeo, postado em seu perfil no Instagram, com imagens da vida pessoal e narrado pela esposa, Mila Seidl. "No canal, falamos de tantas chegadas e partidas, de planos de voos que deram errado e precisaram ser reajustados. Mas nunca imaginei que precisaríamos falar da sua partida", afirmou a esposa no vídeo, em voz embargada.
"Eu não sei explicar sua partida, talvez ninguém saiba. Mas olhando para a vida que você viveu, eu sei que você cumpriu sua missão. O Brasil inteiro te ama porque você deixou gente mais segura para seguir viagem", acrescentou Mila Seidl.
O diagnóstico mobilizou familiares, amigos e seguidores em busca de alternativas de tratamento. A doença de Lito, ainda sem cura, gerou uma comoção nacional em seu favor e, em setembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em caráter excepcional, a importação e o uso de uma substância experimental para o tratamento de Lito.
A comunidade científica tem, até o momento, mais perguntas e hipóteses do que certezas sobre a Doença de Creutzfeldt-Jakob. A condição registra menos de 100 casos suspeitos por ano no Brasil.
A doença está associada ao acúmulo de formas anormais de uma proteína, chamadas príons, no cérebro. Essas proteínas podem induzir alterações em proteínas normais e provocar a degeneração progressiva das células nervosas, comprometendo o funcionamento do órgão. A Creutzfeldt-Jakob apresenta rápida progressão e, atualmente, não há tratamento capaz de interromper sua evolução.
*Com informações da Agência Brasil
