A Prefeitura de Guarulhos contratou serviços de demolição e remoção de resíduos no terreno localizado na rua Madame Curie, número 1134, perto da Alameda Yayá, na região do Picanço. A intervenção ocorre como desdobramento do colapso estrutural que aconteceu em 2 de fevereiro deste ano, quando um edifício de quatro andares desabou após fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana de São Paulo. O local já estava interditado e a ocorrência não deixou vítimas, embora tenha atingido um imóvel vizinho.
O Guarulhos Todo Dia esteve no endereço nesta terça-feira (18). A Madame Curie é uma rua essencialmente residencial, inclusive com o prédio Residencial Otimus bem ao lado do terreno onde havia a construção que desabou. No local, a reportagem constatou que as estruturas remanescentes das edificações já foram demolidas. Não há mais prédios de pé no terreno, restando apenas montantes de entulho e materiais aguardando a finalização dos trabalhos de recolhimento, transporte e limpeza do lote.
O contrato de prestação de serviços foi obtido pela reportagem do Guarulhos Todo Dia por meio de consulta pública ao Portal da Transparência do município. O documento detalha as condições técnicas, financeiras e jurídicas da execução do serviço público de contenção e limpeza da área afetada.
- Empresa contratada: Commander Infraestrutura Ltda.
- Valor total estimado: R$ 2.822.072,13 (dois milhões, oitocentos e vinte e dois mil, setenta e dois reais e treze centavos).
- Objeto dos serviços: Execução de obras de demolição de prédio e entulho no endereço da rua Madame Curie, 1134, incluindo mão de obra, maquinários, transporte e a correta destinação ambiental dos resíduos ao sistema de reciclagem do município.
- Quando foi assinado: Maio de 2026
- Prazo de vigência do contrato: Cinco meses, contados a partir da data de assinatura do contrato

O que diz a Prefeitura de Guarulhos
Em nota enviada à redação do Guarulhos Todo Dia, a Prefeitura de Guarulhos esclareceu que o endereço possui histórico de autuações e processos administrativos há mais de dez anos (processos 76442/2013, 14875/2014 e 17219/2014). A administração informou que uma solicitação de regularização protocolada no passado foi indeferida pelo município por conta das condições insatisfatórias de estabilidade e habitabilidade da edificação
Segundo o Executivo, laudos emitidos pela Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil classificaram o imóvel no Grau de Risco R4 (Muito Alto), com risco de colapso estrutural segundo a Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade 2.4.1.0.0). A nota pontua que tanto o prédio que desabou quanto uma segunda edificação anexa estavam interditados havia mais de 12 anos, época em que as famílias residentes foram removidas do local. As reformas necessárias não foram executadas, o que levou à progressiva deterioração estrutural.
Ainda conforme o posicionamento oficial, que reproduzimos na íntegra no final deste texto, o segundo imóvel sofreu abalos com o impacto da queda da estrutura principal em fevereiro, apresentando risco de atingir ruir.
A Defesa Civil determinou a interdição temporária de imóveis vizinhos em um raio de 20 metros para garantir a segurança dos moradores da região até a completa eliminação do perigo. A demolição do remanescente seguiu sob a supervisão técnica da Secretaria de Infraestrutura Urbana (SIURB).

Questionada, a Prefeitura de Guarulhos não informou o que será feito no terreno após a conclusão do serviço contratado. Veja, abaixo, a nota completa:
"O local possui histórico de intervenções pela administração pública há mais de uma década, conforme Processos Administrativos nº: 76442/2013, 14875/2014 e 17219/2014, este último inclusive possui o comunique-se nº 38423/2018 de INDEFERIMENTO à solicitação de regularização em face das condições insatisfatórias de estabilidade e habitabilidade da edificação.
Nas ultimas vistorias realizadas por técnicos da Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, o parecer foi a indicação de Grau de Risco - R4 - Muito Alto - Risco de Colapso Estrutural – COBRADE (Classificação e Codificação Brasileira de Desastres) 2.4.1.0.0, culminando com o colapso ocorrido na madrugada de 02/02/2026.
O imóvel que desabou, e este segundo prédio, estavam interditados há mais de 12 anos, inclusive com a remoção à época de todas famílias que lá residiam pôr apresentarem vários problemas de ordem estruturais e, portanto, risco à vida.
Tais falhas requeriam grandes reformas, o que não ocorreu. Por isso, as edificações se deterioraram nesse período, o que culminou de fato no desabamento do primeiro prédio.
Esse segundo imóvel, cujas estruturas encontravam-se em elevado estado de deterioração ao receberem os impactos provenientes do desabamento do prédio principal, pode estar na iminência de atingir o Estado Limite Último e colapsar, o que levaria esse segundo prédio a ruína.
A Defesa Civil interditou os imóveis vizinhos num raio estimado em 20m devido a riscos à vida das famílias residentes. O possível desabamento desse segundo prédio pode causar danos humanos e materiais às famílias residentes neste perímetro, motivo pelo qual essas edificações foram interditadas e essas famílias terão de sair provisoriamente de suas casas até que o risco de desabamento desse prédio seja totalmente eliminado.
O trabalho de demolição do prédio da rua Madame Curie segue em andamento de forma regular sob a fiscalização da SIURB."

