Entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, o índice de tratamento de esgoto em Guarulhos mais do que dobrou, saltando de 18% para 40%. No mesmo período, a coleta de esgoto também avançou, passando de 91% para 96%. No entanto, em contraste com os benefícios permanentes trazidos para a saúde pública e para o meio ambiente, os canteiros de obras da Sabesp espalhados pelo município têm gerado incômodos aos moradores, com impacto na mobilidade urbana.
O grande objetivo da Sabesp e do Governo do Estado de São Paulo com a execução das obras estruturantes é atingir a universalização dos serviços de saneamento básico em Guarulhos até o ano de 2029. A ampliação do tratamento de esgoto é fundamental para reduzir a contaminação dos rios, melhorar a qualidade da água e prevenir doenças.
A meta, assumida pela companhia após o seu processo de privatização, pretende antecipar em quatro anos o prazo limite que havia sido estipulado originalmente pelo Marco Legal do Saneamento. A intenção é fazer com que a capacidade total de tratamento de esgoto de Guarulhos salte dos antigos 509 litros por segundo para uma marca superior a 1.500 litros por segundo, atingindo a cobertura de 99% até 2029.
Privatizada em 2024, a Sabesp assumiu o serviço de saneamento básico em Guarulhos em 2019. Naquele momento, a taxa de coleta era de 88,8%, mas apenas 3,24% do volume recebia tratamento adequado, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil.
Para chegar aos 40% do tratamento de esgoto, o investimento entre 2023 e 2025 foi de aproximadamente R$ 1,8 bilhão em obras de saneamento. A melhora nos indicadores já beneficia cerca de 300 mil habitantes da cidade. Até 2029, a previsão é de R$ 5 bilhões de investimento.
A Sabesp realizou a entrega de duas estruturas para a ampliação do tratamento local: as Estações de Tratamento de Esgoto, conhecidas como ETEs, Fortaleza e Cabuçu. Juntas, essas duas novas unidades operacionais contribuíram para elevar em 1,5% o índice geral de tratamento de esgoto da cidade, garantindo que o esgoto tratado passasse a atender mais de 43 mil pessoas.

Entre os principais projetos em andamento atualmente estão as ampliações da ETE Várzea do Palácio, que passa por obras de ampliação e melhorias operacionais, acompanhadas de melhorias na Estação Elevatória de Esgoto (EEE) CECAP, responsável pelo envio do esgoto bruto até a unidade. A conclusão desse conjunto está prevista para dezembro de 2026.
A ETE São João também recebe investimentos para aumento da capacidade, com término estimado para o mesmo período. Já a ETE Bonsucesso segue em fase de execução, com obras de ampliação do sistema e previsão de entrega em janeiro de 2027.
A Sabesp também diz que o abastecimento de água também melhorou entre 2023 e 2025. A cobertura passou de 97% para 99%, incluindo áreas informais, beneficiando 50 mil moradores. “A expansão reduz a dependência de soluções improvisadas e amplia a segurança de abastecimento da população”, diz o governo do estadual. Apesar desse índice, leitores do Guarulhos Todo Dia ainda costumam procurar a nossa reportagem com queixas de falta d’água por longos períodos.
Obras da Sabesp em Guarulhos
Há cerca de um ano, o guarulhense precisa lidar com o impacto das obras da Sabesp nas ruas. As atividades da companhia de saneamento frequentemente provocam a interdição de faixas e trechos específicos de vias importantes. As interrupções parciais acabam gerando novos pontos de lentidão, o que piora o trânsito da cidade.
As intervenções acontecem porque a Sabesp está implementando esse conjunto de obras focado em triplicar a capacidade de tratamento de esgoto em Guarulhos. Para viabilizar esse objetivo, o planejamento engloba a construção de coletores-tronco, redes coletoras, interligações e estações elevatórias de bombeamento para conectar as residências à rede formal.
Como essas novas tubulações contratadas possuem cronograma de entrega previsto até 2027, Guarulhos ainda precisará conviver com a presença dessas obras e seus respectivos impactos viários pelas ruas por mais tempo.
Para tentar amenizar os transtornos gerados na superfície, parte das escavações utiliza o Método Não Destrutivo e a tecnologia shield, popularmente chamada de tatuzinho. Esse maquinário opera de forma subterrânea a partir de poços de entrada e saída para implantar as tubulações.
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