A LAT.BUS 2026, Feira Latino Americana do Transporte que acontece na São Paulo Expo nesta semana, é o exemplo de um ponto de virada para o transporte coletivo na América Latina. Praticamente todas as grandes montadoras e encarroçadoras do setor, como Marcopolo, Eletra, Caio, Iveco, Volkswagen Caminhões e Mercedes-Benz, apresentaram seus modelos e chassis elétricos, em uma clara demonstração de que a eletrificação das frotas urbanas deixou de ser uma tendência futura para se tornar o presente da mobilidade urbana.
Entre as novidades mais comentadas do evento, o lançamento do ônibus eCity pela Mercedes-Benz, desenvolvido e produzido em São Bernardo do Campo com o objetivo de democratizar o acesso à tecnologia e alcançar municípios de médio e pequeno porte com esse modelo “de entrada”, prometendo ser até 30% mais barato que modelos elétricos convencionais.
Com 12 metros de comprimento, piso alto e interior plano, o eCity tem autonomia média de 150 quilômetros por carga, podendo ampliar esse alcance por meio de estratégias de recarga ao longo do dia. “A chegada do eCity ao mercado está prevista para 2027, com uma importante novidade comercial”, disse Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil. “Este modelo será comercializado já encarroçado, simplificando o processo de aquisição para os operadores e tornando a adoção da tecnologia elétrica mais acessível e eficiente”.

Outro destaque foi a Volkswagen Caminhões, que levou à feira um chassi elétrico pronto para receber carroceria com baterias de alta autonomia desenvolvidas pelas empresas Moura e CATL.
Embora os modelos elétricos ainda representem cerca de 5% da fabricação nacional de ônibus, o ritmo é de crescimento. No primeiro semestre de 2026, o Brasil vendeu 589 ônibus eletrificados, o que significa uma alta de 89,4% na comparação com os 311 emplacados no mesmo período do ano passado.
O avanço ocorre em um momento em que as cidades da América Latina atingiram a marca de 10 mil ônibus elétricos em operação, segundo dados recentes compilados pelo E-Bus Radar e divulgados pelo C40 Cities e pelo International Council on Clean Transportation (ICCT). A frota, que está espalhada por mais de 80 municípios de 13 países, evita a emissão de aproximadamente 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. O movimento é liderado por capitais como Santiago, Bogotá e São Paulo.
A capital paulista se consolidou com a segunda maior frota do tipo na região, alcançando 1.759 veículos após incorporar 500 unidades de uma só vez. Além disso, o Novo PAC do governo federal projeta um aporte de R$ 10,6 bilhões para a aquisição de mais 2.296 ônibus elétricos em 61 municípios brasileiros.
O desafio da expansão das frotas elétricas: a infraestrutura de recarga

O modelo mais comum de carregamento de ônibus elétricos funciona por meio de corrente contínua, utilizando cabos e plugues conectados diretamente ao veículo. Essas estações de carga rápida ou super-rápida operam com potências elevadas, que variam de 40 kW a até 960 kW. O tempo de reabastecimento total leva de uma a quatro horas, dependendo da potência e do tamanho da bateria para a recarga.
“O ônibus só aceita recargas rápidas, então ele não vai aceitar carregadores lentos. E também tem a necessidade dos clientes, um ônibus não pode parar mais de 10 horas para a recarga. Ainda é um tempo de carregamento maior do que o de abastecimento a combustão, o que exige um gerenciamento diferente da frota, mas faz parte da eletromobilidade”, diz Heidrich Dietrich Oliani, que atua na área comercial da Electric Mobility Brasil, empresa de carregadores de alta potência para veículos elétricos, em conversa com o Guarulhos Todo Dia na LAT.BUS 2026.
A alta demanda de energia obriga as empresas a adaptarem suas garagens com cabines primárias e contratos específicos de aumento de demanda junto às concessionárias de energia.


