A Prefeitura de Guarulhos notificou formalmente o Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social (IDGT) a apresentar defesa ou restituir R$ 5.888.644,87 ao Fundo Municipal de Saúde. A publicação consta do Diário Oficial do município de 9 de setembro e é assinada pela Secretaria da Saúde, comandada pelo secretário Márcio Chaves Pires, que concedeu prazo de 15 dias úteis para a entidade se manifestar.
O IDGT administrou o Hospital Municipal Pimentas-Bonsucesso (HMPB) entre fevereiro de 2020 e dezembro de 2021, quando deixou a unidade após uma intervenção municipal.
A notificação da gestão Lucas Sanches acontece após relatório emitido em 17 de julho de 2026 por comissão instaurada no âmbito do processo administrativo 3884/2022 e nos autos do processo SEI 1111.2025/0062900-0. A publicação prevê que, no caso de opção pelo ressarcimento financeiro direto, o depósito deve ser feito na conta bancária do Fundo Municipal de Saúde mantida no Banco do Brasil.
A cobrança, segundo resposta enviada pela Prefeitura ao Guarulhos Todo Dia, resulta de um processo de encontro de contas: o valor se refere a saldo de recursos não utilizado pela organização, ao pagamento de multas e juros contratuais e a despesas não comprovadas durante o período de gestão. Essas pendências, informou a administração municipal, foram identificadas e glosadas (rejeitadas) ainda no exercício de 2021.
O afastamento do IDGT ocorreu em meio a denúncias de pacientes e funcionários sobre falta de insumos básicos, medicamentos e equipamentos, além de salários atrasados a profissionais de saúde e prestadores de serviço.
À época, a organização social alegou publicamente que os repasses da Prefeitura eram insuficientes para sustentar o atendimento e afirmou ter alertado o poder público sobre dificuldades financeiras desde o ano anterior à intervenção. A gestão municipal, que na ocasião era comandada pelo ex-prefeito Guti, sustentou que os valores previstos em contrato haviam sido repassados dentro do prazo.
Depois da saída do IDGT, a administração do hospital passou à Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo, que respondeu pela unidade por cerca de quatro anos e meio --em 2024, a gestão chegou a passar por uma nova crise, com atendimentos reduzidos.
No entanto, somente em abril de 2026 a gestão foi transferida à Associação Social UNIVIDA Tauá, atual responsável pelo HMPB. O contrato firmado com a nova organização prevê metas assistenciais, entre elas a realização de até 16 mil atendimentos mensais de urgência e emergência, além do monitoramento de indicadores como tempo de internação, controle de infecções e taxa de reinternação.
O Guarulhos Todo Dia não conseguiu contato com os representantes do IDGT para que pudessem se posicionar sobre a notificação da prefeitura. O espaço segue aberto para as manifestações da entidade, no e-mail redacao@guarulhostododia.com.
