Delivery: depois da revolta dos entregadores, Ifood enfrenta o crescimento da concorrência

99 Food e Rappi oferecem taxas menores e restaurantes buscam alternativas. E ainda tem uma gigante chinesa chegando ao Brasil.

Edvaldo Nunes

redacao@guarulhostododia.com.br

Paulo Pinto/Agência Brasil

Publicado em 15/05/2025 às 19:24 / Leia em 4 minutos

“O Ifood está sozinho no mercado, até o momento. Cobra a taxa que quer”. Essa é a avaliação de Sérgio Destro, dono do restaurante Flashback, que fica na avenida Doutor Timóteo Penteado. Mas essa situação parece estar mudando. 99Food e Rappi querem ganhar espaço no mercado de entrega de comida. Para isso, prometem pagar melhor para os entregadores e oferecer taxas menores para os restaurantes. E, além disso, a gigante chinesa Meituan anunciou o investimento de 5,6 bilhões de dólares no Brasil, nos próximos cinco anos, para lançar sua marca de delivery, chamada Keeta.

Depois de enfrentar paralisações de entregadores, insatisfeitos com as condições de trabalho e o pagamento que recebem, o Ifood agora tem que lidar com a revolta dos restaurantes. A Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes de São Paulo (Fhoresp) defende um boicote ao Ifood. Para o diretor-executivo da entidade, Edson Pinto, “o monopólio não fez bem ao Ifood, que estabeleceu uma relação predatória e de dominância com os parceiros”.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) não defende o boicote, mas concorda que a concentração do mercado de entrega é um problema que deve ser enfrentado. A entidade, segundo nota enviada ao Guarulhos Todo Dia, “vê com otimismo a entrada e o crescimento de novas plataformas de delivery por aplicativo no Brasil, como Rappi, 99Food e Meituan, que têm potencial para ampliar as opções disponíveis e promover um ambiente mais equilibrado e justo para os negócios, os entregadores e os consumidores”.

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, “o caminho para um mercado melhor não é o boicote, mas sim a concorrência. Quando há mais opções, as condições naturalmente melhoram. O papel das entidades representativas deve ser o de construir pontes e negociar, não o de acirrar divisões”. A Abrasel fez um acordo com a Rappi, para redução de taxas cobradas dos restaurantes na modalidade full service (entrega feita pelo Rappi) válida por três anos. Os restaurantes têm até 31 de julho para aderir ao acordo.

Restaurantes de Guarulhos e as taxas

Para Sérgio Destro, do restaurante Flashback, que é coordenador do Núcleo Abrasel GRU, o aumento da concorrência é uma boa notícia. Ele considera que é uma maneira para que “seja feita uma pressão nas cobranças de taxas e torcemos por melhoras na condição dos entregadores”.

Destro afirma que os restaurantes de Guarulhos nunca concordaram as taxas cobradas pelo Ifood: “Mas, se você está começando, não tem para onde fugir. Tem que começar com eles e depois tentar ir para uma operação própria. É o que acontece com a gente: temos 30% com o iFood, porque eles são vitrines e 70% é nossa operação. Justamente para não dependermos plenamente deles”.

E como ficam as taxas cobradas dos consumidores?

Em toda essa guerra em torno do bilionário mercado de entrega de comida no Brasil, o que não se sabe ainda é como ficará o consumidor. Em 2022, a Abrasel divulgou um levantamento que mostrava que um prato pedido pelo Ifood ficava, na época, 17,5% mais caro para o consumidor, do que se fosse pedido no salão do mesmo restaurante. O levantamento foi feito em 1.600 restaurantes e, já na época, apurava os efeitos da falta de concorrência no setor de delivery de comida.

Segundo justificativa da Abrasel, na época, os produtos ficam mais caros no delivery por conta das taxas cobradas dos restaurantes pelo iFood, que acabam repassadas para o cliente final. E agora, se a concorrência realmente reduzir as taxas cobradas dos restaurantes, ao menos parte dessa economia será repassada aos consumidores?

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