A carga monumental que tem chamado a atenção na Via Dutra nos últimos dias foi fabricada aqui em Guarulhos e tem como destino final a Arábia Saudita, saindo do Brasil a partir do Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro. A máquina representa o maior transporte de carga já registrado na história da rodovia administrada pela concessionária RioSP. É um transformador com tecnologia de ponta fabricado pela Hitachi Energy, no Cecap.
O Guarulhos Todo Dia visitou o local onde esse transformador foi fabricado para entender a dimensão dessa operação. Em entrevista exclusiva, Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil, detalhou a relevância dessa produção local.
“O que a gente fabrica aqui em Guarulhos? Todos os equipamentos que são utilizados numa subestação de energia: transformadores, disjuntores, toda a parte de proteção, comando e telecomunicações dessas subestações. Então, tudo que existe numa subestação é feito ou montado aqui em Guarulhos, cidade que a gente está presente desde 1954 [então como ABB]”.
O equipamento em questão é parte de uma subestação de tecnologia HVDC (High Voltage Direct Current – Corrente Contínua de Alta Tensão), projetado para transmitir energia com perdas reduzidas. Ele faz parte de um conjunto de 14 máquinas sendo produzidas na fábrica de Guarulhos e tem como destino final a Arábia Saudita, onde será utilizado em uma planta de energia para infraestrutura local. A imagem em destaque dessa reportagem é de um desses transformadores já pronto.

A escolha de Guarulhos para essa produção não é aleatória. Segundo Glauco Freitas, a planta local “detém tecnologia, competência e gente capaz de produzir esses transformadores, que são o estado da arte da transmissão”.
Em meio a um “boom” global na transmissão de energia, o Brasil, a partir de Guarulhos, está exportando máquinas de alta tecnologia para países super desenvolvidos, rompendo a antiga imagem de exportador apenas de commodities. “Essa máquina é a maior já produzida na história nos 71 anos aqui em Guarulhos”, afirmou o executivo.
“Daqui até Itaguaí a nossa expectativa é que essa máquina leve 25 dias para chegar até lá. É uma jornada muito grande. A Motiva, antiga CCR [concessionária que administra a Via Dutra], tem nos ajudado demais, é uma grande parceira nessa nessa tratativa. Mas é isso, é motivo de orgulho pra gente exportar esse tipo de máquina saindo aqui de Guarulhos, mão de obra guarulhense sendo exportada pro mundo.”
Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil
A carga em deslocamento pela Dutra
Na segunda-feira, 11, a carreta gigante percorreu 53 quilômetros em aproximadamente 3 horas e 40 minutos e estacionou em Pindamonhangaba, no km 101 da rodovia, encerrando o deslocamento do dia às 16h18.
O conjunto completo, incluindo carreta e carga, possui 136 metros de extensão, 6 metros de largura e pesa impressionantes 845 toneladas. Apenas o transformador pesa 350 toneladas, com 11 metros de comprimento, 5 de altura e 4,5 de largura. Para se ter uma ideia, a carreta conta com 59 eixos e 398 pneus, e sua velocidade máxima de deslocamento é de apenas 20 km/h. Há dispositivos para acompanhar o balanço do transformador. Outro ponto que a equipe fica atenta é para a troca de pneus.

A operação logística para transportar o transformador de Guarulhos até o Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, é complexa e desafiadora. A escolha do porto fluminense se deu pela melhor logística rodoviária e marítima para a carga. Levar o transformador pelo Sistema Anchieta-Imigrantes, em direção ao Porto de Santos, seria ainda mais complexo. Além disso, não daria para fazer o transporte de algo com esse peso por avião.
A operação, que começou em 21 de julho em Guarulhos, tem causado congestionamentos na Dutra, com picos de até 12 km. Mais de 50 profissionais de diversas entidades, como a concessionária Motiva, PRF, ANTT, DNIT e DER-SP, estão envolvidos para garantir a segurança e fluidez do transporte. A carreta deve retomar viagem somente nesta quarta-feira (13), às 9h, com a meta de chegar no km 46, em Canas, ainda em São Paulo.
Aos curiosos das redes sociais, Glauco Freitas reforça que a passagem da carga especial da Hitachi Energy pela Serra das Araras está calculada no plano logístico.