A Linha 19-Celeste, que promete conectar o centro de São Paulo a Guarulhos, dará um passo crucial neste mês com a realização dos leilões para a contratação das empresas responsáveis pela sua construção. As sessões públicas para o processamento das licitações eletrônicas estão agendadas para 22, 23 e 24 de setembro, divididas em três lotes distintos. Guarulhos terá cinco estações do novo ramal; a Linha 2-Verde, que está com obras de expansão em direção à cidade, terá duas estações aqui.
O projeto da Linha 19-Celeste é ambicioso e complexo, com 17,6 quilômetros de extensão e 15 estações, ligando o Bosque Maia ao Anhangabaú, na região central da capital paulista. Estima-se que a linha terá capacidade para atender aproximadamente 630 mil passageiros diariamente, transformando a mobilidade entre as duas cidades. O valor total do empreendimento é estimado em cerca de R$ 20 bilhões, abrangendo desde as obras civis até a aquisição de uma nova frota de trens e sinalização.
A complexidade do projeto já causou adiamentos nas licitações, a pedido das construtoras interessadas, que apontaram a natureza multidisciplinar e desafiadora da obra.

Os desafios da megaconstrução
A Revista O Empreiteiro, em reportagem publicada na última semana, detalhou os significativos desafios que a construção da Linha 19-Celeste enfrentará. Um dos pontos mais críticos é a travessia sob três rios: Tietê, Tamanduateí e Cabuçu de Cima. Essas escavações serão realizadas por tuneladoras, garantindo uma distância segura e maior controle, segundo o engenheiro Danilo Rodrigues, coordenador de obras civis do Metrô.
As estações localizadas na região do Vale do Anhangabaú, como a nova Estação São Bento (com conexão à Linha 1-Azul) e a Estação Anhangabaú (com conexão à Linha 3-Vermelha), apresentam dificuldades consideráveis. A Estação São Bento exigirá a construção de poços de grande diâmetro e túneis em meio ou sob estruturas de grande relevância histórica e urbana, como o Palácio dos Correios, o Mirante do Vale, o Túnel São João Paulo II e os viadutos Santa Ifigênia e do Chá.
O desafio principal é garantir a integridade dessas estruturas vizinhas, exigindo monitoramento contínuo e, em alguns casos, reforço de fundações ou remanejamento de galerias de córregos canalizados
Outro ponto de atenção é a Estação Dutra, onde duas valas contíguas e cronogramas de implantação distintos exigirão elevada sinergia entre dois consórcios construtores que atuarão simultaneamente. Afinal, a Estação Dutra terá trens tanto da Linha 19-Celeste quanto da Linha 2-Verde do Metrô.
A logística de retirada de material escavado e o transporte de insumos em áreas centrais da cidade serão planejados para minimizar impactos no trânsito e na rotina urbana, com preferência para operações noturnas ou fora dos horários de pico.
A diversidade geológica do traçado também é um desafio, com predominância de solos sedimentares, mas também a presença de solos residuais, rochas e solos moles. Regiões como Pari e Vale do Anhangabaú, com areia e nível freático elevado, demandarão técnicas combinadas de condicionamento do maciço e rebaixamento do lençol freático.
Além disso, o traçado interage com estruturas sensíveis como edifícios, rios, túneis existentes, grandes coletores de esgoto e linhas ferroviárias, além da possibilidade de riscos geológicos inesperados. Para mitigar esses riscos, o Metrô realizou uma extensa campanha de investigação geológica-geotécnica, incluindo 614 sondagens e 3.600 ensaios laboratoriais.
Prazos para a obra da Linha 19-Celeste do Metrô
A Linha 19-Celeste já se encontra na fase de desapropriações de imóveis e terrenos na capital paulista, um passo essencial antes do início das obras. O Metrô já reservou R$ 400 milhões para desapropriações neste ano, com expectativa de valor similar para 2026. Aqui em Guarulhos, imóveis como o Poli Shopping e o McDonald’s estão na lista de desapropriações.
Com os leilões neste mês, a previsão é que os contratos com as empresas construtoras sejam assinados entre o final de 2025 e o início de 2026. O governador Tarcísio de Freitas, em entrevista recente ao site MetrôCPTM, indicou que os preparativos, licenças e finalização de projetos devem consumir 2026, com o início efetivo das obras previsto para 2027.
A conclusão da obra é estimada em até 75 meses (pouco mais de seis anos) após o início dos trabalhos. Na teoria, a Linha 19-Celeste do Metrô deve ficar pronta em 2033. No entanto, como sabemos que esse tipo de obra costuma sofrer prorrogações, existe a possibilidade de demorar mais do que o previsto. A expectativa é que a nova linha reduza o tempo de viagem entre o centro de São Paulo e Guarulhos de 90 para apenas 30 minutos.