O estudo “Panorama do Uso do WhatsApp e Estratégias de Marketing no Brasil” revelou que, embora o aplicativo seja considerado indispensável pelas empresas brasileiras, seu potencial completo ainda não é explorado. Os dados foram divulgados em um evento realizado na quarta-feira (17), no MASP (Museu de Arte de São Paulo), com presença do Guarulhos Todo Dia.
A pesquisa, conduzida pela ActiveCampaign em parceria com a AnaMid (Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital), aponta que apenas quatro em cada dez empresas utilizam campanhas automatizadas no WhatsApp.
O levantamento fez um raio-X sobre o cenário atual, os desafios e as tendências do marketing nos negócios brasileiros, mapeando como as empresas usam o WhatsApp e outras plataformas para gerar vendas.
Resultados indicam que 79,3% das empresas já incorporam o WhatsApp em suas operações, e a grande maioria (77,6%) o vê como um canal principal de marketing para os próximos dois anos. Os dados consolidam a ferramenta como um pilar essencial no ecossistema digital do Brasil, mas o uso da plataforma ainda é predominantemente funcional.
O WhatsApp é concentrado em atendimento ao cliente (90,8%) e suporte pós-venda (66%). Apenas 41,2% das empresas exploram suas capacidades para campanhas automatizadas. Rodrigo Neves, presidente nacional da AnaMid, destaca que essa concentração no atendimento, apesar de confirmar o papel do WhatsApp no relacionamento e retenção de clientes, “expõe uma subutilização do potencial de integração com funis de aquisição e campanhas escaláveis”.
“O estudo mostra que o Brasil já consolidou o WhatsApp como ativo indispensável, mas ainda enfrenta desafios de governança, mensuração e diversificação. Para avançar, será preciso dar quatro passos fundamentais: institucionalizar o planejamento orçamentário, profissionalizar a mensuração, expandir os horizontes de canal e avançar em automação inteligente com uso de IA e integrações nativas”.
Rodrigo Bidinoto, diretor global de vendas na ActiveCampaign
A pesquisa também apontou uma maturidade fragmentada no uso do WhatsApp. Cerca de 45% das empresas utilizam a API oficial, enquanto 41,2% recorrem a soluções não oficiais e 13,9% desconhecem a diferença entre elas.
Desafios de governança são evidentes: 64,3% das empresas afirmam que as plataformas entregam apenas parcialmente o prometido, 55,5% enfrentam falhas de rastreabilidade e 72,7% já tiveram problemas na aprovação de templates. Segundo Neves, esse cenário revela um dilema: “o WhatsApp é ao mesmo tempo indispensável e limitado”.
No mix de canais de marketing, o WhatsApp é o terceiro mais utilizado (62,7%), ficando atrás do Meta (77,3%) e do Google Ads (68,7%).
Perspectivas
Para o futuro, a pesquisa sugere que o setor será guiado por três eixos principais: inteligência artificial para automação e hiperpersonalização, o WhatsApp como um centro de marketing e vendas com comércio social e pagamentos, e dados integrados com rastreabilidade em tempo real. Neves complementa que as empresas devem equilibrar o uso pragmático do canal com investimentos em integrações inteligentes (como CRM e automações) e governança de dados e conformidade.
O estudo solicitou, também, aos respondentes, para que apontassem a principal mudança que fariam na plataforma com base nas dificuldades enfrentadas. As perguntas, abertas, foram compiladas e as cinco sugestões mais citadas foram, na ordem:
- Integração mais simples, nativa e sem burocracia (com CRMs, IA, automações e métricas integradas);
- Redução de custos e maior clareza de preços (especialmente no custo por mensagem e nos planos da API oficial)
- Mais transparência e flexibilidade nas regras (fim da insegurança de banimentos e revisão da janela de 24h).
- Dashboards e métricas avançadas nativas (leitura, cliques, conversão e jornada do cliente em tempo real)
- Suporte mais próximo e humano: atendimento rápido, qualificado e inclusivo para PMEs.
A pesquisa contou com a participação de 300 empresas, realizada via GoogleForms. Os respondentes incluíram empresários/empreendedores (42%), diretores/gerentes de marketing (29,3%) e coordenadores de marketing (10,7%). Os setores de atuação mais representados foram serviços (53,3%), tecnologia/startups (20,7%) e indústria (8,7%). Quanto ao tamanho, a maioria das empresas era micro (43,7%) ou pequena (33%).