Guarulhos deu um salto em sua ainda atrasada infraestrutura de saneamento na última semana, passando de 38% para 41% do esgoto tratado no município. O avanço ocorreu com a inauguração de duas novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), Cabuçu e Fortaleza, fruto de uma parceria entre a Prefeitura e a Sabesp.
As obras, que fazem parte do Programa Integra Tietê, representaram um investimento total de cerca de R$ 72 milhões (R$ 72,9 milhões). Com a entrada em operação das novas ETEs, o índice municipal de tratamento de esgoto coletado subiu de 38% para os atuais 41%.
Até 2019, apenas 3,24% do esgoto de Guarulhos recebia tratamento adequado, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, que divulga anualmente pesquisas sobre saneamento nas 100 cidades brasileiras mais populosas.
A estimativa é que, até o final 2025, o índice de tratamento dos esgotos coletados no município atinja 45%. O investimento acumulado previsto até 2029 ultrapassa R$ 4,71 bilhões. Entre as melhorias planejadas, estão a instalação de tubulações, estações de bombeamento e a ampliação da capacidade das ETEs existentes, visando beneficiar cerca de 850 mil moradores de 40 bairros.
O governador do Estado, Tarcísio de Freitas, declarou na inauguração que a expectativa é bater 78% de esgoto tratado até o final de 2026 e alcançar a universalização da cidade até 2029.
O impacto das novas Estações de Tratamento de Esgoto em Guarulhos
As duas novas estações beneficiarão diretamente cerca de 44 mil pessoas, recebendo o esgoto coletado de 9 mil residências. Juntas, Cabuçu e Fortaleza possuem capacidade de tratamento de 63 litros de esgoto por segundo, totalizando um volume diário superior a 5 milhões de litros, o equivalente a mais de duas piscinas olímpicas.
Os bairros atendidos incluem Chácaras Cabuçu, Jardim dos Cardosos, Jardim Fortaleza, Jardim Monte Alto, Jardim Siqueira Bueno, Novo Recreio e Recreio São Jorge.

A Sabesp utilizou tecnologias inovadoras. A ETE Cabuçu, que atenderá 24.656 pessoas, é pioneira ao adotar o Biorreator com Biobobs. Neste sistema, pequenos suportes móveis chamados biobobs são integrados a tanques de tratamento biológico (biorreatores). Micro-organismos se fixam e se desenvolvem nesses “filtros”, acelerando a decomposição da matéria orgânica e atuando como um “aspirador” para remover nutrientes presentes no esgoto. Essa técnica permite um tratamento mais eficiente em menor espaço físico, reduz odores e gera menos lodo.
Já a ETE Fortaleza, que beneficiará 19.152 pessoas, utiliza a tecnologia de Lodos Ativados com Biocords. Este é um aprimoramento do processo convencional que emprega instrumentos fixos para intensificar o crescimento da biomassa. O objetivo é ampliar a eficiência na remoção de poluentes e otimizar a capacidade de tratamento sem a necessidade de expansão física dos tanques.
Um sonho: a despoluição do Tietê
O tratamento de esgoto é essencial não apenas para a qualidade de vida e a saúde pública –prevenindo doenças e melhorando as condições de vida dos moradores– mas também para a preservação dos recursos hídricos.
O efluente, após ser devidamente tratado e despoluído nas novas estações, é direcionado aos córregos Cabuçu e do Entulho, que, por sua vez, deságuam no Rio Tietê.
As iniciativas em Guarulhos são consideradas cruciais para a despoluição do principal rio paulista. As ações do programa IntegraTietê já demonstram resultados, com uma redução de 15,9% na mancha de poluição do Tietê, representando 33 km a menos de dispersão, conforme o relatório Observando o Tietê 2025.