A EDP, distribuidora de energia elétrica responsável pelo fornecimento para mais de 2,2 milhões de clientes no estado de São Paulo, incluindo a cidade de Guarulhos, lançou nesta semana o seu Plano Verão 25/26. A iniciativa prevê um investimento de cerca de R$ 750 milhões, focado em reforçar a infraestrutura e a resiliência do sistema elétrico para reduzir os impactos das tempestades e ventos fortes, fenômenos climáticos cada vez mais extremos e frequentes na região.
O investimento faz parte de uma estratégia de longo prazo da companhia, que planeja aportar R$ 5 bilhões até 2030, um aumento de 40% em relação ao ciclo anterior. O objetivo é garantir mais segurança e agilidade no atendimento à população durante o período chuvoso, evitando apagões elétricos por consequência das chuvas.
Monitoramento climático
Uma das bases do Plano Verão 25/26 é a atuação antecipada, realizada em sinergia com o poder público, com órgãos como a Defesa Civil do estado. Além disso, a EDP mantém uma parceria com a Climatempo.
A plataforma realiza o monitoramento meteorológico em tempo real, o que permite antecipar cenários de risco e facilitar ações preventivas. A comunicação é estreita, com a realização de briefings meteorológicos e alertas imediatos em caso de chance de evento severo.
Segundo Pedro Regoto, Gerente de Operações e Consultoria da Climatempo, as chuvas mais intensas do verão 2025/2026 são esperadas a partir da segunda quinzena de outubro para a Região Metropolitana (onde Guarulhos está localizada) e o Vale do Paraíba. A previsão indica que, nos meses de novembro e dezembro, a chuva virá com menos intensidade, mas será mais duradoura ao longo de alguns dias. Há ainda a projeção de que, devido ao La Niña, a chuva seja mais constante, porém menos intensa, entre novembro e janeiro.
Modernização da rede da EDP
Os R$ 750 milhões em investimentos em 2025 estão destinados à digitalização da rede, expansão de subestações e, principalmente, ao aumento da resiliência da infraestrutura.
Como parte desse reforço estrutural, a EDP instalou cerca de 300 km de redes protegidas (cabos blindados), em substituição ao cabeamento comum. Além disso, mais de 16.600 equipamentos da rede foram modernizados e mais de 840 postes foram substituídos.

Quando a luz acaba, qual é a prioridade?
No âmbito do planejamento, o novo protocolo de atendimento segue critérios de prioridade. Em situações de emergência, a coordenação das atividades é feita em conjunto com órgãos como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
A prioridade de atendimento é direcionada a serviços essenciais, como hospitais, escolas, creches, unidades de segurança pública, e clientes que dependem de equipamentos elétricos para sobrevivência, os quais estão previamente cadastrados no sistema. O objetivo da estratégia integrada é fazer com que a população sinta os impactos dos eventos climáticos da menor forma possível.
A preparação para o verão também inclui “mais gente na rua”. O planejamento operacional prevê a ampliação do quadro de equipes técnicas, que são multidisciplinares, para garantir uma resposta mais eficiente em campo. Em momentos críticos, esses profissionais podem ser remanejados de outras regionais para áreas mais impactadas.
No atendimento ao consumidor, o efetivo do call center e WhatsApp será reforçado em 23% para dar suporte ao aumento da demanda durante a instabilidade climática.
Atualmente, 85% dos atendimentos da companhia são realizados pelos canais virtuais, site www.edp.com.br e aplicativo EDP Online. Porém, em momentos de grande volume de ocorrências, os clientes buscam também o Whatsapp (11 93465 2888) ou pelo telefone 0800 721 0123, para registrar as suas demandas.

Uso de Inteligência Artificial
A tecnologia é uma aliada fundamental da EDP para diminuir os impactos das mudanças climáticas. O Centro de Operação Integrado (COI) da EDP, localizado em São José dos Campos, é peça-chave na gestão do sistema elétrico.
O centro utiliza inteligência artificial (IA) e automatização para monitorar e operar o sistema em tempo real. Isso permite que sejam realizadas manobras de carga de forma remota e instantânea.
A digitalização da rede é complementada com o sistema de religação automática (self-healing). São mais de 3 mil religadores automáticos em funcionamento. Essa tecnologia isola instantaneamente trechos da rede com defeito, como a queda de árvores ou galhos sobre a fiação, e religa automaticamente os segmentos não afetados, reduzindo significativamente o impacto e o tempo de interrupção do fornecimento. Atualmente, mais de 80% dos clientes da distribuidora são beneficiados por esses equipamentos de religação automática.
Prevenção
A prevenção é reforçada como um tema fundamental para a EDP. Marcos Campos, Diretor Geral da EDP/SP, ressalta a importância da manutenção e do planejamento.
Um dos maiores desafios no período chuvoso é a vegetação, que se torna uma grande causa de interrupção quando há queda de galhos sobre a rede. Por isso, a EDP realizou um trabalho de poda de árvores ao longo do ano. Foram realizadas mais de 188 mil podas nas cidades da área de concessão. Esse trabalho é feito em parceria com as prefeituras, o que é fundamental para a gestão da vegetação.