Linha 19-Celeste: Power China deve construir 5 estações de Metrô em Guarulhos

Consórcio com estatal chinesa venceu licitação para estações do trecho em Guarulhos e Metrô já pediu licença para instalar canteiros de obras

Redação Guarulhos Todo Dia

redacao@guarulhostododia.com.br

Cia. do Metropolitano de São Paulo

Publicado em 19/11/2025 às 17:30 / Leia em 6 minutos

A Companha do Metrô de São Paulo habilitou os três consórcios que fizeram as propostas de menor valor para as obras da Linha 19-Celeste, que vai ligar a atual estação Anhangabaú, no Centro de São Paulo com a futura estação Bosque Maia, em Guarulhos. As obras foram divididas em três trechos. Com a habilitação dos consórcios vencedores, os outros concorrentes podem apresentar recursos, contestando o resultado ou apresentando razões para desclassificar as empresas habilitadas.

Se não houver contestações, a expectativa é de que os contratos com as empresas vencedoras sejam assinados até o final deste ano ou no início de 2026. Isso poderia garantir o início das obras em 2027. A partir daí, o prazo de entrega previsto em contrato é de 75 meses (seis anos e três meses). Ou seja, entrega prevista para 2033. Já uma eventual disputa jurídica por parte das empresas que perderam a licitação pode atrasar o início das obras.

O Lote 1, entre as futuras estações Bosque Maia e Itapegica, todo dentro de Guarulhos, deve ser construído pelo Consórcio Nove de Julho, formado pelas empresas Yellow River Co Ltd, Mendes Júnior e Highland Build. O consórcio venceu a licitação com uma proposta abaixo de cinco bilhões de reais (R$ 4.984.622.287,00). Esse é o valor que será recebido pela construção do trecho com cinco estações (Bosque Maia, Guarulhos-Centro, Vila Augusta, Dutra e Itapegica), além de poços de ventilação e saídas de emergência. E, claro, a construção dos túneis entre as estações.

Consórcio Nove de Julho

Das três empresas que compõem o Consórcio Nove de Julho, duas pertencem ao grupo empresarial Power China: Yellow River e Highland Build. O grupo Power China é uma empresa estatal da China. A empresa se apresenta, em seu site no Brasil, como “um grupo de construção integrado que fornece investimento e financiamento, projeto de planejamento, construção de engenharia, fabricação de equipamentos e gerenciamento de operações para energia limpa e de baixo carbono, recursos hídricos, construção ambiental e infraestrutura”.

Ainda de acordo com a publicação, “a POWERCHINA tem negócios em mais de 130 países e regiões ao redor do mundo”. Entre os grandes projetos em que o grupo esteve envolvido está a construção da linha do trem de alta velocidade Jacarta-Bandung, na Indonésia. O site brasileiro do grupo ainda tem trechos “em construção”. O que indica que foi desenvolvido há pouco tempo. O endereço do grupo no Brasil é rua Gomes de Carvalho, 1.510, na Vila Olímpia. Na região dos modernos prédios comerciais da Faria Lima.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a Highland Build obteve licença para operar no Brasil 11 dias antes do início do leilão da Linha 19-Celeste. A participação da empresa no consórcio é importante, porque ela é a única que atende uma exigência técnica do edital de licitação. A Highland Build tem atestado de um método de perfuração subterrânea chamado TBM (Tunnel Boring Machine). Traduzindo, trata-se do uso de tuneladoras (os “tatuzões”), uma forma mais moderna, eficiente e com menos impacto ambiental de construção de túneis subterrâneos, que é o método mais usado hoje no Metrô de São Paulo.

O Consórcio Nove de Julho é liderado pela Yellow River Co Ltda, que tem 75% das cotas, seguido pela brasileira Mendes Júnior (15%) e a Highland Build (10%). A Mendes Júnior é uma das gigantes da construção brasileira, que cresceu com grandes obras públicas desde os anos 50, teve seu auge durante a ditadura militar, se internacionalizou e depois entrou em crise. A crise atingiu a empresa, juntamente com outras do setor, por envolvimento em esquemas de corrupção detectados pela Operação Lava Jato. Entre outras grandes obras da Mendes Júnior no Brasil estão a Hidrelétrica de Furnas, a ponte Rio-Niterói, a rodovia Transamazônica, a Hidrelétrica de Itaipu, o Memorial da América Latina e o Sambódromo do Rio de Janeiro.

Consórcios habilitados nos outros dois trechos

O Lote 2 da Linha 19-Celeste teve como vencedor o Consórcio Via Celeste 2, formado pelas empresas OECI SA, Álya Construtora SA e Ghella SpA. O Lote 2 é composto pelo trecho com cinco estações (Jardim Julieta, Vila Sabrina, Cerejeiras, Santo Eduardo e Vila Maria), além de poços de ventilação, saídas de emergência e o pátio de manutenção para trens na Zona Norte da capital. O consórcio foi considerado vencedor com uma proposta de R$ 6,89 bilhões.

O Lote 3 teve como vencedor o Consórcio Via Celeste 3, formado pelas mesmas empresas do Consórcio Via Celeste 2. O Lote 3 abrange o trecho entre as estações Catumbi, Silva Teles, Cerealista, São Bento e Anhangabaú. Neste caso, além das estações, o contrato prevê a construção de 18 poços de ventilação e saída de emergência (VSE), além da readequação das estações São Bento (Linha 1-Azul) e Anhangabaú (Linha 3-Vermelha), que serão conectadas à nova linha. O valor ofertado pelo consórcio para vencer a licitação desse trecho foi de R$ 6,89 bilhões.

A OECI SA que lidera os dois consórcios é a antiga construtora Odebrecht, com um novo nome. A Odebrecht, assim como a Mendes Júnior, é outra das empreiteiras gigantes brasileiras, que dominam o mercado de obras públicas do país há décadas. A mudança de nome da empreiteira veio junto com a crise vivida pelo setor depois do envolvimento em casos de corrupção identificados pela Operação Lava Jato. Entre as grandes obras públicas no histórico da empresa estação as rodovias dos Imigrantes, Trabalhadores e Castelo Branco.

Licenças ambientais da Estação Dutra

A Companhia do Metrô também já solicitou à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) as Licenças Ambientais de Instalação (LAI) para a futura Estação Dutra. São dois pedidos: um para a instalação para obras da estação Dutra que será o terminal da extensão da Linha 2-Verde; e outro pedido para a instalação para obras da estação Dutra que fará parte da Linha 19-Celeste, que virá do Anhangabaú até o Bosque Maia. Pela previsão atual, as duas estações ficarão paralelas. Os dois pedidos foram publicados no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (19). A Licença Ambiental de Instalação (LAI) permite que a construtora instale o canteiro de obras no local.

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