Em Guarulhos, se você topar com um gambá no fim de semana, torça para ele ir embora

“Plantão encerrado para emergências silvestres”

Agência Mural

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Gambá na casa de moradora de Guarulhos (Foto: @Sônia Xavier/Divulgação/Agência Mural)

Publicado em 14/12/2025 às 22:11 / Leia em 4 minutos

Por Gabrielly Souza, Agência Mural
Era 12 de outubro, feriado. Um daqueles domingos abafados, no início de noite, em que tudo o que se deseja é um banho demorado e o ventilador soprando alívio ao lado da cama. Sônia Xavier, 24, jornalista e moradora do Jardim Valéria, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, já havia cumprido todos os itens da sua lista: passou no mercado, correu com as irmãs e colocou a conversa em dia. Restava apenas o merecido descanso.

Já pronta para o banho, foi até a lavanderia buscar uma toalha no varal, num gesto automático, quase sem pensar. Mas, ao abrir a porta, o cotidiano deu lugar ao inusitado: no meio da bancada, entre uma caixa de papelão, estava ele. Parado. Observando.

Um gambá.

Sim, um gambá real, nada de metáforas. No escuro, Sônia pensou tratar-se de um gato. Mas bastou acender a luz para a verdade saltar aos olhos (e ao coração): era um gambá legítimo, inteiro, ali, como se fosse o novo morador da casa.

Por segundos que pareceram eternos, os dois se olharam, tentando decifrar quem era o intruso. O duelo durou pouco. Sônia girou nos calcanhares e correu de volta para dentro de casa. Banho cancelado.

Ainda atônita, pegou o celular e ligou para uma amiga: Tem um gambá na minha lavanderia. O que eu faço?

A resposta veio lógica: ligar para o Centro de Zoonoses de Guarulhos. O Google, porém, foi direto, indicando atendimento apenas de segunda a sexta, das 8h às 17h. Horário comercial, como se gambás também seguissem expediente.

Mesmo assim, ela tentou. Uma vez, duas, várias. Nenhum atendimento. Só depois confirmou: o serviço realmente não funciona nos fins de semana.

Indignada, recorreu às redes sociais da Prefeitura. Descobriu que não estava sozinha, dezenas de moradores reclamavam do mesmo problema. Em Guarulhos, se um animal silvestre entra sua casa fora do horário comercial, ele pode se tornar hóspede.

Ela resolveu acionar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) Ambiental. Após mais de cinco minutos ouvindo uma gravação prometer atendimento “em instantes”, o telefone permaneceu mudo. Nem ela, nem a amiga, que tentava de outro ponto da cidade, conseguiram contato.

O silêncio causou espanto. A GCM Ambiental, afinal, é um serviço que, oficialmente, opera 24 horas por dia.

Sem conseguir atendimento da GCM, Sônia decidiu ligar para o 190. A orientação, porém, foi circular: “Ligue para a GCM Ambiental”. Mas como se o setor que não atendia?

Sem alternativas, tentou os Bombeiros. A resposta foi categórica: “Não é nossa função lidar com animais silvestres; isso é com a Zoonoses ou com a GCM Ambiental.” Para completar, ainda recebeu uma sugestão pouco prática.

“Joga um balde em cima dele.” Mas como, se o gambá estava em cima da bancada?

E assim a noite avançou. O animal, impassível, continuava no mesmo lugar. Sônia, sem toalha, sem banho e sem solução, assistia ao desenrolar de uma noite que, de tranquila, tornou-se um retrato cômico da ineficiência urbana. Enquanto a cidade descansava, ela e suas irmãs enfrentavam sozinhas, literalmente, a fauna silvestre.

Na manhã seguinte, ao acordar para ir trabalhar notou que o gambá se foi. Sumiu sem aviso, como chegou. Ninguém soube de onde veio, tampouco para onde foi.

Mas uma coisa é certa: em Guarulhos, se você topar com um animal silvestre em um fim de semana, torça para que ele saiba a hora de ir embora.

Em contato posterior, já durante a semana, um funcionário do setor de Zoonoses explicou que, na cidade de Guarulhos, o resgate de animais silvestres é responsabilidade da GCM Ambiental. O Centro de Zoonoses, por sua vez, atua apenas em situações de risco –como casos de maus-tratos, enchentes ou abandono de animais domésticos–, com foco na proteção da saúde pública e no bem-estar animal.

Mais do que explicar, a colocação gerou certa indignação: parece que, na prática, ninguém assume efetivamente a responsabilidade por esse tipo de ocorrência na cidade.

Este texto foi originalmente publicado na Agência Mural

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