Nesta segunda-feira, dia 2 de março de 2026, o trágico acidente aéreo com os Mamonas Assassinas completa 30 anos. A Globo produziu um documentário chamado Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú, que será exibido nesta noite, a partir das 23h, na Tela Quente. Quem não conseguir assistir pela TV pode ver depois, no streaming Globoplay. Parte das gravações aconteceu aqui em Guarulhos.
A produção relembra, com a graça e a ousadia típicas dos Mamonas Assassinas, como a banda alcançou um sucesso retumbante em tão pouco tempo e de forma tão marcante. A trajetória dos cinco jovens de Guarulhos é reconstruída por meio de imagens e depoimentos exclusivos de familiares e personalidades que tiveram suas vidas impactadas pela banda, um relato repleto de humor, emoção e nostalgia.
Mais do que revisitar a história dos Mamonas Assassinas, o documentário mergulha no clima delirante dos anos 1990, um período marcado por ousadia e liberdade criativa.
“Entendemos que era importante contextualizar os Mamonas dentro da permissividade do começo dos anos 1990, quando os meios de comunicação ainda desfrutavam da liberdade pós-ditadura. Mulheres com pouca roupa, letras de duplo sentido, brincadeiras de gosto duvidoso – todas essas características faziam parte do caldo de cultura que permitiu que eles brilhassem”.
Fellipe Awi, diretor do documentário Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú
Entre figurinos extravagantes, personagens caricatos e performances cheias de energia, Dinho, Bento, Júlio, Samuel e Sérgio conquistaram o país com as músicas do único álbum que lançaram. A originalidade da banda que virou mania nacional também inspirou diversos artistas. Cláudio Manoel e Tom Cavalcante contam no documentário que alguns de seus personagens icônicos foram influenciados por Dinho, um exímio imitador e showman nato.
A produção reúne ainda depoimentos de Rick Bonadio, que atuou como produtor musical e empresário da banda desde os tempos em que se chamava Utopia; do apresentador Serginho Groisman; do cantor Falcão; da jornalista Delis Ortiz; e de Valéria Zopello, ex-namorada de Dinho e figura bem marcante na época, além de amigos e familiares.
Gravado em Brasília, Guarulhos e no Rio de Janeiro, o documentário também apresenta imagens inéditas do último show dos Mamonas, realizado no dia 2 de março de 1996 no Estádio Mané Garrincha. Veja a chamada:
“Revisitar os Mamonas é como tocar o sinal da escola e começar o recreio. É um tempo de liberdade, de rir junto com os amigos. Espero que o documentário faça as pessoas se divertirem”, afirma Renato Terra, que assina o roteiro ao lado de Gabriel Tibaldo. “Construímos uma obra rica em imagens inéditas, bastidores e, claro, na irreverência que marcou a trajetória deles. O público vai rir muito, porque é impossível falar dos Mamonas sem rir, mas também vai se emocionar”, complementa Gabriel.
Recheadas de imagens do arquivo pessoal dos Mamonas, a produção promete emocionar tanto a geração que acompanhou o auge banda quanto quem não viveu essa época, mas foi impactado de alguma forma por esse fenômeno.
“O tamanho do sucesso, o impacto cultural e o abalo causado pela morte do grupo atingiram proporções que a geração mais jovem não viveu, e isso foi algo que nos preocupamos em mostrar. Acredito que tanto quem viveu aquele momento quanto quem não viveu vai gostar de revisitar essa época e se divertir com o “humor da quinta série” deles”, finaliza Anelise Franco, produtora do documentário.
Mamonas – Eu te Ai Lóve Iú é uma produção do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo. A obra tem direção de Fellipe Awi e roteiro de Renato Terra e Gabriel Tibaldo. A produção é de Anelise Franco, produção executiva de Fernanda Neves, direção artística de Monica Almeida. A direção do Núcleo de Documentários é de Pedro Bial.
Guarulhos e os Mamonas Assassinas
Os Mamonas Assassinas foram a banda mais famosa que Guarulhos teve. Todos os integrantes moravam na cidade e foi nela que o grupo deu seus primeiros passos antes de se tornar um fenômeno nacional. O trágico acidente que vitimou a banda ocorreu na noite de 2 de março de 1996, quando o jatinho Learjet 25D, prefixo PT-LSD, fretado pela própria banda, se chocou contra uma montanha na Serra da Cantareira, durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Além dos músicos, morreram o piloto, o copiloto, um segurança e um ajudante de palco.
À época, a comoção em Guarulhos foi sem precedentes. O velório, realizado no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, atraiu cerca de 30 mil pessoas. O cortejo fúnebre até o cemitério Parque das Primaveras foi acompanhado por mais de 100 mil, em uma das maiores manifestações de luto da história do município. Os músicos foram sepultados juntos, em uma cerimônia que incluiu uma emocionante homenagem a Dinho, que completaria 25 anos no dia do enterro.