Os alagamentos registrados recentemente em Guarulhos mobilizaram equipes técnicas do CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) para avaliação das condições estruturais das áreas afetadas. Um dos pontos mais críticos e impactantes foi a Avenida Monteiro Lobato, na região central da cidade, onde houve registro de pessoas ilhadas após a via ficar totalmente tomada pela água.
As vistorias em diferentes regiões do município têm como objetivo de apurar as circunstâncias das obras executadas pela Sabesp, apontadas por muitos moradores como as “culpadas” pelo agravamento das enchentes. A ação de fiscalização teve participação de agentes fiscais, inspetores e conselheiro do Crea-SP e apoio da Asseag (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Guarulhos), além de equipe técnica da Secretaria de Infraestrutura da Prefeitura de Guarulhos e engenheiros do consórcio responsável pelas obras em andamento.
Em decorrência das chuvas mais recentes, foram registrados colapsos pontuais em locais que passam por intervenções, em meio ao grande volume de precipitação concentrado em curto espaço de tempo. Porém, foram constatados colapsos em pontos sem obras da empresa, em locais que já apresentavam históricos de problemas de infraestrutura, indicando a ausência da engenharia na manutenção de Guarulhos, notadamente na drenagem das águas pluviais e na manutenção dos cursos hídricos.
De acordo com Magda Berberich, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Município de Guarulhos), os episódios de alagamento são consequências de um processo de urbanização desorganizada:
“Nos últimos anos a cidade teve um crescimento populacional enorme, acompanhado de verticalização de moradias, redução de lugares permeáveis e ocupação das várzeas. Onde tínhamos espaços ocupados por jardins e áreas verdes, hoje são extensões cimentadas e impermeabilizadas. Essa mudança fez com que perdêssemos os chamados ‘jardins de chuva’, responsáveis pela absorção da água, especialmente nesses períodos mais críticos de condições climáticas”.
Segundo o tecnólogo Rubens Moraes, chefe de fiscalização do Crea-SP na região de Guarulhos, as diligências às obras da Sabesp vão continuar. “Seguimos com as diligências e juntada de documentação de todas as obras que a Sabesp vem desenvolvendo na cidade, para posterior análise da Câmara Especializada de Engenharia Civil”, afirmou.
O que diz a Sabesp
Em nota enviada ao Guarulhos Todo Dia em fevereiro, a Sabesp negou relação das obras com os alagamentos. Veja abaixo:
“A Sabesp informa que a obra executada na Avenida Monteiro Lobato, em Guarulhos, faz parte de um investimento de mais de R$ 2,4 bilhões para ampliar a coleta e tratamento de esgoto na cidade. Os serviços não têm relação com eventuais alagamentos na região, uma vez que não se tratam de intervenções de drenagem de águas pluviais. A Companhia esclarece também que adota protocolos ambientais rigorosos em seus canteiros de obras, com gerenciamento adequado dos descartes de resíduos”.
De acordo com a Prefeitura de Guarulhos, em apenas 30 minutos da tarde de 16 de fevereiro choveu o equivalente a todo o volume previsto para o mês inteiro. Em alguns bairros, a precipitação ultrapassou 60 milímetros.