Com pedágio eletrônico, viagem de ida e volta Arujá-Bertioga passa a custar R$ 21

Veja onde estão instalados os pórticos de cobrança, entenda como pagar e regras de descontos/isenção

Vinícius Andrade

redacao@guarulhostododia.com.br

(Foto: Divulgação/CNL)

Publicado em 08/11/2025 às 20:59 / Leia em 7 minutos

O início da operação do sistema de pedágio eletrônico (free flow) nas rodovias administradas pela Concessionária Novo Litoral (CNL) ainda tem gerado dúvidas entre motoristas. E esses questionamentos devem se intensificar a partir das próximas semanas, quando o movimento de moradores da região metropolitana pegando a estrada rumo ao litoral paulista tende a aumentar. O valor da tarifa varia de R$ 0,57 a R$ 6,95 por sentido.

A Novo Litoral é a primeira concessionária do Estado de São Paulo a operar com 100% de pedágios eletrônicos. O novo sistema abrange rodovias que antes não eram pedagiadas, como a Mogi-Dutra (SP-088) e a Mogi-Bertioga (SP-098).

Se você, morador de Guarulhos, decidir realizar o trajeto de Arujá até Bertioga e retornar, o custo total de pedágio será de R$ 21,00, considerando a passagem por três pórticos em cada sentido, sem a aplicação de descontos.

A conta para a viagem de ida e volta é a seguinte, conforme os valores por sentido definidos para o trecho:

  • 1. Pórtico 01 – Rodovia Pedro Eroles (Mogi-Dutra), trecho Arujá: R$ 1,56
  • 2. Pórtico 02 – Rodovia Pedro Eroles (Mogi-Dutra), trecho Mogi das Cruzes: R$ 1,99
  • 3. Pórtico 03 – Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro (Mogi-Bertioga), trecho Bertioga: R$ 6,95

Somando os valores de ida, o custo é de R$ 10,50. Na volta, o motorista paga o mesmo preço, totalizando R$ 21,00 pela viagem completa.

Quem seguir pela rodovia, ainda encontra outros dois pórticos pelo caminho: o da Rodovia Manoel Hipólito Rego (Rio-Santos), trecho Santos, que cobra R$ 5,80 por sentido; e o da Padre Manoel da Nóbrega, trecho Miracatu, que cobra R$ 5,59 por sentido.

Na imagem abaixo, você vê a localização dos pórticos em operação

Localização dos pórticos de cobrança do pedágio eletrônico na Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga
(Foto: Divulgação/CNL)

Como funciona e como pagar o free flow

O sistema Siga Fácil, supervisionado pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), substitui as antigas praças de pedágio por pórticos eletrônicos. Esses pórticos estão equipados com câmeras, antenas e sensores que identificam os veículos por meio das placas ou tags de pagamento automático.

De acordo com o governo estadual, o objetivo do novo sistema, conhecido também como free flow, “é trazer mais agilidade, segurança e fluidez para os motoristas, além de evitar filas e reduzir o risco de acidentes”.

Para o pagamento, o motorista sem tag eletrônica tem até 30 dias corridos após a passagem pelos pórticos para quitar o débito. A consulta e o pagamento podem ser realizados diretamente no site Siga Fácil, no site cnl.pedagioeletronico.com.br e pelo aplicativo CNL Novo Litoral;

Além disso, para quem preferir pagar presencialmente, existem totens disponíveis nas bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU). Nesses canais, é possível pagar via Pix ou cartão de crédito, e nas bases do SAU também há a opção de cartão de débito.

O não pagamento após o prazo de 30 dias é considerado evasão de pedágio, conforme previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com multa de R$ 195 e cinco pontos na CNH.

Isenções e descontos no pedágio eletrônico da CNL

O novo sistema prevê modalidades de descontos e isenções:

  • Desconto por Tag: Motoristas que utilizam a tag eletrônica de pagamento automático recebem 5% de desconto sobre o valor da tarifa.
  • Motociclistas: Estão isentos de pagamento em todos os pórticos.
  • Desconto de Usuário Frequente (DUF): Aplicado automaticamente a carros de passeio com tag. O desconto total é de 10% a partir da 11ª passagem no mesmo mês, e chega a 20% a partir da 21ª passagem. É aplicado sempre o maior benefício, pois os descontos não são cumulativos.

Além dos descontos gerais, há isenções específicas para moradores locais:

  • Moradores de Mogi das Cruzes: Não há cobrança de tarifa quando os deslocamentos ocorrem exclusivamente dentro do município.
  • Moradores do Distrito do Taboão (em Mogi das Cruzes): Estão isentos da cobrança para o pórtico P2, em ambos os sentidos, desde que utilizem o acesso do km 38+300 da SP-088 na mesma viagem.
  • Usuários da Estrada da Pedreira (P2a): Quem acessa a Estrada da Pedreira (km 41+190), em ambos os sentidos, paga apenas pelo trecho efetivamente percorrido da SP-088. Nesses casos, o desconto é de aproximadamente 70%, com a tarifa reduzida para R$ 0,57 por sentido.

Por que colocaram esses novos pedágios?

Durante a concessão das rodovias do “sistema Mogi-Dutra”, o governo de São Paulo autorizou a concessionária vencedora do leilão a implementar os pedágios eletrônicos, mas pediu algumas contrapartidas, como melhoria do pavimento, drenagem, sinalização e contenções. O investimento inicial da concessionária já ultrapassou R$ 280 milhões, de um total de R$ 4,3 bilhões previstos.

A CNL garante que, desde o início da operação, os usuários contam com uma estrutura operacional completa, ativa 24 horas por dia, incluindo:

  • Atendimento pré-hospitalar com UTIs móveis
  • Serviços de remoção de veículos e inspeção viária
  • Combate a incêndios
  • Oito postos de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAUs)

Para os próximos anos, a concessão prevê as seguintes obras em seus 212 quilômetros de rodovias:

  • 89 km de duplicações.
  • 18 km de faixas adicionais.
  • Intervenção em 90 km de marginais.
  • Construção de 18 novas passarelas e adequação de 23 existentes.
  • Implantação de 45 dispositivos de retorno e conexão entre bairros, 73 km de ciclovias e 50 novos pontos de ônibus.
  • Todo o trecho será monitorado 100% por câmeras.

Disputas judiciais contra o free flow

Apesar da entrada em operação do sistema Siga Fácil, o processo de cobrança foi marcado por intensas disputas judiciais envolvendo prefeituras e a CNL.

A Prefeitura de Mogi das Cruzes e a Prefeitura de Arujá moveram ações civis públicas questionando o início da cobrança. Mogi das Cruzes, por exemplo, chegou a obter uma liminar que suspendia temporariamente a cobrança na Mogi-Dutra. A Prefeitura de Mogi das Cruzes se manifestou por meio de uma Carta Aberta enviada ao governador, reafirmando sua posição contra o pedágio e argumentando que a Mogi-Dutra é considerada uma “avenida” para os mogianos, tendo sido construída com recursos municipais na década de 1970.

Em Arujá, a Justiça também havia determinado a suspensão da cobrança para veículos registrados na cidade. No entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reverteu essas decisões, atendendo a pedidos do Governo do Estado de São Paulo e da Artesp, que alegaram risco de prejuízo à ordem e à economia públicas caso a suspensão fosse mantida. O TJ-SP suspendeu as liminares que impediam a cobrança, liberando o início das tarifas nos pórticos do free flow. A Prefeitura de Arujá, no entanto, afirmou que recorreria da decisão.

Além das ações municipais, o Procon de Mogi das Cruzes também precisou intervir devido a reclamações de motoristas na última semana. Diversos relatos indicaram que motoristas que trafegavam exclusivamente dentro de Mogi das Cruzes, e que teriam direito à isenção de cobrança, foram cobrados indevidamente. Em resposta às queixas, o Procon notificou a CNL, exigindo explicações formais sobre os problemas reportados e estabelecendo um prazo de sete dias para os esclarecimentos. O órgão informou que continuaria acompanhando o caso e orientando a população sobre seus direitos.

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