Sexta-feira, 7 de agosto de 2026 MPJ|Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
/apidata/imgcache/34dd83af104ab5cbcc84f6b2007b849b.webp?banner=top&when=1786104896&who=5

Projeto de Lei prevê cobrança de mensalidade em universidades públicas

Modelo de empréstimo de acordo com a renda indica que quem ganha mais paga mais. No entanto, no final das contas, todos teriam que pagar.

Compartilhar
Projeto de Lei prevê cobrança de mensalidade em universidades públicas

Nesta semana, foi protocolado na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) o Projeto de Lei nº 672/2024, que prevê a cobrança de mensalidade em universidades públicas estaduais, como a USP, Unicamp e Unesp. A ideia partiu do deputado estadual Leonardo Siqueira, do Novo. O político pretende implementar o Programa SIGA (Sistema de Investimento Gradual Acadêmico). Funcionaria como um empréstimo estudantil, cujo pagamento seria feito ao fim da graduação. Pelo modelo estabelecido no projeto, de Empréstimos com Amortizações Contingentes à Renda (ECR), quem ganha mais paga mais –no entanto, no final das contas, todos teriam que pagar.

“Além de tornar as universidades mais sustentáveis financeiramente, esse modelo vai possibilitar a expansão do número de vagas, permitindo a entrada de ainda mais alunos e melhorando a infraestrutura das instituições. Com o aumento de recursos, as universidades poderão investir em melhorias e na ampliação de sua capacidade, garantindo um ensino de qualidade para um público mais amplo”, defende o texto do deputado do Novo.

A Instituição de Ensino Superior responsável pelo curso determinaria o valor da mensalidade e critérios de reajustes. O programa permitiria que os empréstimos fossem pagos de acordo com a renda da pessoa que se formou, depois de sua inserção no mercado de trabalho.

Publicidade
/apidata/imgcache/c6815b5c82db5d4cfbba55beb5dced63.jpeg

“Com essa iniciativa, aproximamo-nos das melhores práticas internacionais, ampliando o acesso ao ensino superior para a população mais pobre e fornecendo recursos adicionais às universidades públicas do estado de São Paulo”, finaliza Siqueira em sua argumentação.

Esse é apenas um projeto, que agora vai passar pelas comissões da Alesp. Não tem previsão para ser votado pelos outros deputados.

A ideia de cobrar mensalidade nas universidades públicas, no entanto, já enfrenta forte resistência dentro do movimento acadêmico.

A Unicamp, por exemplo, fez uma longa reportagem em seu portal com a opinião de diferentes educadores contrários ao Projeto de Lei. Os especialistas preveem impactos negativos da medida para estudantes de baixa renda e risco de aprofundamento da desigualdade no acesso à educação.

“O projeto é mais um exemplo dos retrocessos a que o ensino e a ciência estão insistentemente expostos já há alguns anos. A onda de pressões para cobrança de mensalidade nas universidades públicas e a privatização do ensino são constantes nos setores das elites políticas –e de outros– que não se informam e imaginam que mensalidades financiam instituições de ensino e pesquisa com a envergadura das universidades públicas paulistas”, diz a pró-reitora de Pós-Graduação da Unicamp, Rachel Meneguello.

Professor da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, Lalo Watanabe entende que o projeto tem cunho privatizante. O especialista ressalta que cerca de 75% das matrículas feitas no ensino superior já são realizadas no setor privado. Watanabe é autor de obras como “Educação da Miséria: particularidade capitalista e educação superior no Brasil” e “As reformas do ensino superior no Brasil: o público e o privado em questão”.

Empréstimo estudantil

O professor explica que é perigoso comparar os modelos de financiamento das universidades paulistas com o que é feito nos Estados Unidos, por exemplo.

“São realidades muito diferentes. Depois, não é possível fazer essa comparação por conta do critério de pagamento. Lá existe o modelo em que se paga mesmo nas escolas públicas, mas há históricos de grandes endividamentos, resultando num sistema que não prejudica os estudantes apenas na entrada, mas durante o curso e por longos períodos depois disso. O Reino Unido adotou modelo semelhante e hoje tem uma juventude pós-universitária cada vez mais endividada”.

O Projeto de Lei do deputado do Novo defende que esse modelo já foi implementado em países como Austrália, Inglaterra, Chile, Coreia do Sul, Estados Unidos, Holanda, Japão e Nova Zelândia.

No entanto, os especialistas apontam que esse tipo de sistema deixa uma dívida de empréstimo mesmo para os mais pobres. “O que se vê nesta proposta é a possibilidade de cobrança de mensalidade, mas o que é mais grave é que isso se dará por meio de empréstimo por amortização, o que acaba vinculando o estudante – sobretudo o mais pobre – a toda uma cadeia financeira de empréstimos e de especulação financeira num sistema muito duvidoso, até porque o projeto não detalha como isso iria acontecer. Isso tudo torna a proposta mais séria e preocupante”, explica o professor do Departamento de Políticas, Administração e Sistemas Educacionais (Depase) da FE, Lucas Pelissari.

Alunos e professores da USP também se posicionaram contra a ideia de cobrar mensalidade nas universidades públicas de São Paulo.

Nas redes sociais, o deputado Leonardo Siqueira diz que a esquerda está unida contra ele por causa do projeto. O político defende, porém, que pretende aumentar a arrecadação das universidades com o sistema e cobrar de quem tem mais renda.

Leia também

Guarulhos: Expresso Aeroporto e Linha 13 não vão funcionar em meio à greve na CPTM
Notícias de Guarulhos Guarulhos: Expresso Aeroporto e Linha 13 não vão funcionar em meio à greve na CPTM 03/08/2026
Campos do Jordão: Sem Parar promove ativação com experiências e benefícios para quem viaja
São Paulo Campos do Jordão: Sem Parar promove ativação com experiências e benefícios para quem viaja 29/07/2026
DBT e DUF: Conheça os descontos de pedágio para quem usa tag de pagamento
CONTEÚDO DE MARCA DBT e DUF: Conheça os descontos de pedágio para quem usa tag de pagamento 07/07/2026
Pedágio Free Flow: prazo para anular multas e regularizar CNH tem data para terminar
Negócios Pedágio Free Flow: prazo para anular multas e regularizar CNH tem data para terminar 24/06/2026