Tarifaço dos Estados Unidos já afeta indústrias de Guarulhos

Indústria guarulhense de produtos veterinários, com filial nos Estados Unidos, aguarda resultado de negociação para enviar 40 palets

Edvaldo Nunes

redacao@guarulhostododia.com.br

Pet Society

Publicado em 28/07/2025 às 21:12 / Leia em 4 minutos

Sabe qual é o país que mais importa produtos fabricados em Guarulhos? Estados Unidos da América. Nos últimos seis meses (janeiro a junho), Guarulhos exportou 308,4 milhões de dólares para os EUA. Ou 24,8% de tudo que vendemos para outros países. No ano passado, foram exportados 609,9 milhões de dólares em produtos guarulhenses para os EUA (23,3%). Por isso, o aumento para 50% na tarifa de importação de produtos brasileiros para os americanos, que deve entrar em vigor no dia 1º de agosto, causa muita preocupação nas indústrias de Guarulhos.

E além de comprar, os Estados Unidos também vendem muito para Guarulhos. Por incrível que pareça, eles superam até a China em exportações para nossa cidade. Em todo o ano passado, os americanos exportaram para Guarulhos 693,3 milhões de dólares ou 25,4% de tudo o que a cidade importou. Por isso, a possível adoção pelo Brasil de tarifas mais altas para produtos americanos, em retaliação, também é uma grande preocupação entre os industriais guarulhenses.

Exemplo do peso dos EUA na indústria de Guarulhos

A Pet Society é uma indústria de produtos veterinários que está em Guarulhos desde 2004. A empresa tem filiais nos Estados Unidos e no Japão. Mesmo exportando para mais de 60 países, os Estados Unidos são o principal mercado da empresa fora do Brasil. O país compra cerca de 10% de tudo que a Pet Society produz.

Luciano Fagliari, presidente executivo da Pet Society, diz que a empresa aguarda o dia 1º de agosto para avaliar melhor a situação. Neste mês de julho a empresa decidiu adiar o embarque de 40 palets de produtos que estavam prontos para serem enviados aos EUA. Se não houver uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos, Fagliari pretende tentar absorver ao máximo o impacto da tarifas, para evitar perder clientes americanos.

Segundo o empresário, o objetivo é negociar com seus fornecedores e todas as partes envolvidas no processo de exportação. Luciano Fagliari pretende que cada parte absorva um pouco do aumento nas tarifas, para que o aumento de preços para os consumidores americanos seja o menor possível. No entanto, ele afirma que se o governo brasileiro adotar tarifas mais altas contra produtos americanos, como forma de retaliação, essa estratégia ficará mais difícil. Segundo Fagliari, entre 15 e 20 insumos usados pela Pet Society são comprados de fornecedores dos Estados Unidos.

O diretor-titular em Guarulhos do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Maurício Colin, reforça a preocupação sobre os possíveis impactos do “tarifaço” dos EUA sobre as indústrias da cidade. “Exportamos fortemente para os EUA e podemos sofrer impactos em empregos, investimentos e competitividade. A hora é de diálogo, estratégia e defesa firme da nossa indústria”, segundo Colin.

Impacto no estado de SP

Um levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com base nos dados do Ciesp, aponta que entre 39 regiões paulistas, 33 tiveram os Estados Unidos incluídos entre os três principais destinos de suas exportações no primeiro semestre de 2025. E entre elas, em treze regiões o mercado americano foi o maior comprador. Guarulhos é uma destas regiões. Em relação às importações, os Estados Unidos estão entre os três principais fornecedores para indústrias de 32 regiões do estado de São Paulo.

Para Rafael Cervone, presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp, “Os números dimensionam a gravidade do impacto que poderá ter a tarifa adicional de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto”. Ele afirma que “a medida anunciada por Trump ultrapassa os limites da diplomacia ao utilizar a questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica”. O empresário defende, no entanto, que o Brasil responda com foco na questão econômica e deixe a questão política de lado. Para Cervone, a falta de um acordo acabará “afetando diretamente as forças produtivas, os trabalhadores e toda a sociedade”.

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