Como a indústria de Guarulhos e região será afetada pelo ‘tarifaço de Trump’

Maurício Colin, diretor titular do CIESP Guarulhos, fez uma análise do impacto que a tarifa de 50% pode ter para setores que ficaram fora da lista de exceções

Vinícius Andrade

redacao@guarulhostododia.com.br

(Foto: José Paulo Lacerda/CNI/Arquivo)

Publicado em 31/07/2025 às 16:31 / Leia em 4 minutos

As indústrias de Guarulhos e do restante do Brasil estão recalculando o impacto que o chamado “Tarifaço de Trump” causará em suas exportações. Após o presidente dos Estados Unidos confirmar a tarifa de 50% para importação de produtos brasileiros, mas com uma lista de 700 exceções, alguns setores sentiram certo alívio enquanto outros estudam alternativas para reduzir os impactos.

A pedido do Guarulhos Todo Dia, Maurício Colin, diretor titular do CIESP Guarulhos (Centro das Indústrias do Estado), fez uma análise do impacto que a Ordem Executiva de Donald Trump pode causar para a indústria da região.

“O cenário não é de tranquilidade, mas tampouco de desastre. Guarulhos e região foram parcialmente poupados graças à diversidade industrial e presença em setores estratégicos. Mas não podemos ignorar os impactos diretos sobre cadeias produtivas de alimentos, bebidas e produtos processados”, explica o empresário.

Colin detalhou os setores isentos, considerando o que se produz em Guarulhos:

  • Aeronáutico – Componentes de aeronaves civis, como motores e peças técnicas, foram poupados das tarifas. Isso ajuda a preservar a competitividade da cadeia aeroespacial instalada em Guarulhos e Arujá, incluindo empresas de manutenção, engenharia e logística.
  • Químico e mineral – Produtos como alumina e derivados de petróleo ficaram fora da lista tarifada. Guarulhos e Mairiporã abrigam indústrias que utilizam esses insumos em suas formulações, o que ajuda a manter contratos externos e empregos locais.
  • Celulose e papel – Embora a celulose bruta não seja produzida na nossa região, temos fábricas de papel, embalagens e impressão que se beneficiam da isenção, mantendo custos controlados e acesso ao mercado dos EUA.

Por outro lado, outros estão na lista das tarifas de 50%, que entram em vigor a partir de 6 de agosto:

  • Alimentos e bebidas – Produtos como café e carne bovina foram incluídos nas tarifas. Isso afeta diretamente torrefadoras, empacotadoras, frigoríficos e centros de distribuição da região, com risco de perda de competitividade e redução de exportações.
  • Frutas e derivados – Apesar da exclusão de itens como suco de laranja e castanha-do-pará, outros derivados de frutas processadas foram tarifados. Indústrias de polpas e congelados sediadas em Guarulhos e Mairiporã podem enfrentar barreiras comerciais.

Impacto nas cidades vizinhas

  • Arujá – Empresas de componentes aeronáuticos e autopeças, em sua maioria integradas a cadeias globais, se mantêm mais protegidas pelas exceções.
  • Mairiporã – Indústrias de embalagens, químicos leves e distribuição de combustíveis tendem a manter fluxo com os EUA. Já os fabricantes de móveis tratados com madeira e polpas vegetais devem buscar alternativas de mercado ou absorver parte dos custos.
  • Santa Isabel e Arujá – Setores ligados à produção e beneficiamento de alimentos, especialmente café e proteína animal, deverão sentir mais os efeitos do tarifaço.
Maurício Colin, diretor do CIESP Guarulhos e vice-presidente da indústria Daicast
Maurício Colin, diretor do CIESP Guarulhos (Foto: Divulgação)

Comércio internacional em Guarulhos

Levantamento do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, baseado em dados das regionais do Ciesp, mostra que, no primeiro semestre de 2025, Guarulhos teve exportações de US$ 1,34 bilhão, crescimento de 10,7% na comparação com o ano anterior, e as importações chegaram a US$ 1,61 bilhão, alta de 12,8%.

Os destinos mais relevantes das exportações foram os Estados Unidos (23,9%) e Argentina (7,6%). As compras tiveram como origens mais recorrentes os Estados Unidos (24,4%), China (22,7%) e Alemanha (9,1%).

Maurício Colin reforça que o CIESP Guarulhos continuará monitorando os desdobramentos, dialogando com empresários e autoridades, e apoiando ações que visem proteger os setores mais vulneráveis e abrir novas oportunidades no comércio internacional. Nossa vocação exportadora seguirá firme com trabalho, adaptação e união do setor produtivo.

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