O registro de roubo de caminhões aumentou 39,4% em agosto passado no Estado de São Paulo, na comparação com o mesmo mês de 2024. Foram 145 registros (um a cada cinco horas). Já os furtos de caminhões (quando não há violência) tiveram uma redução de 41,6%, na mesma comparação. Os dados são do Boletim Tracker-Fecap.
No período de janeiro a agosto houve uma queda de 3,8% nos roubos e de 20,4% nos furtos, na comparação com o mesmo período de 2024. Para Erivaldo Pereira, pesquisador da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), “esses dados sugerem uma possível eficácia das medidas de segurança ou uma mudança no modus operandi dos criminosos, que podem estar se deslocando para outras modalidades ou regiões”.
As cidades com maior índice de roubo e furto no período são São Paulo, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itatiba, São Bernardo do Campo, Limeira, Itaquaquecetuba, Campinas, Jundiaí e Embu das Artes. Em cada uma delas há também um ranking de bairros com mais registros de ocorrências. Veja abaixo os dados das três cidades mais perigosas.

O estudo mapeou ainda as vias com mais registros no Estado. a rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, em Minas Gerais, aparece em primeiro lugar em três cidades: em Guarulhos, com 20 ocorrências, em São Paulo (17) e em Mairiporã (8). Na soma, com 45 registros, está em primeiro lugar no estado, bem acima da segunda colocada, a rodovia Anhanguera, com 15 registros (9 em Araras e 6 em Limeira). Em terceiro lugar está a rodovia Régis Bittencourt, com 11 registros (em Itapecerica da Serra).
Onde e quando
Os roubos e furtos de caminhões, segundo o levantamento, ocorrem principalmente em vias públicas (74,6%), seguido por rodovias e estradas (9,9%). Ou seja, durante o deslocamento dos veículos e não em pontos fixos. Parte dos crimes também ocorrem em estabelecimentos de comércios e serviços (8,9%), provavelmente durante as operações de carga e descarga. Os dias da semana com mais registros são as terças, quartas e quintas-feiras (57%), com destaque para a terça-feira. Sábado e domingo têm apenas 12% dos casos.
Ainda de acordo com os dados apurados, os modelos de caminhões Volvo FH e Scania Série R são os mais visados. Eles têm capacidade para transporte de longa distância e operações logísticas de alto valor. “Há uma clara tendência de maior incidência de roubos em caminhões modernos, reforçando que o valor de revenda de peças e componentes é um dos principais motivadores das ações criminosas. Já os furtos ocorrem de forma mais dispersa, muitas vezes associados a veículos estacionados ou em manutenção, independentemente do ano de fabricação”, complementa o pesquisador da FECAP.
Para Erivaldo Vieira, o combate a esse tipo de crime exige a integração de dados entre Detrans, seguradoras, seguradoras e plataformas digitais, fiscalização orientada por inteligência e conscientização de quem compra. “Por trás de cada peça sem nota fiscal pode haver um caminhão roubado e uma família afetada. O combate a essa rede invisível não é tarefa apenas das autoridades. Começa com a recusa ao comércio informal e com a pergunta que todo consumidor deveria fazer: De onde vem esta peça?”, afirma o pesquisador.
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