Pontos de parada livres; bolsões específicos para atendimento em shows e eventos, fiscalizados pela Prefeitura; e criação de novas categorias, como táxis pretos e táxis executivos blindados. Estas são algumas das reivindicações que dois grandes grupos de taxistas fizeram, em reunião com o secretário de Transportes e Mobilidade Urbana (Semob), João Marcos de Araújo. O vice-prefeito, Thiago Surfista (PL) participou do encontro.
A reunião foi marcada para que o secretário ouvisse as críticas das entidades MoveGru Táxi e Gota D’Água à portaria que cria uma padronização visual para os táxis da cidade, com o uso de um adesivo. Como mostramos, a portaria foi publicada no Diário Oficial e, se não for revogada, todos os taxistas da cidade terão que cumpri-la dentro do prazo, exceto os do chamado “ponto 100”, no Aeroporto de Guarulhos.
O grupo MoveGru Táxi foi o organizador do abaixo-assinado contra a primeira portaria da Semob que tratou do tema do adesivo. Até a noite deste domingo a petição tinha conseguido 218 assinaturas no documento on-line e informou que tem outras 70 assinaturas em um documento físico. O abaixo-assinado é contra a portaria 7, que implantava o adesivo de identificação, mas de tamanho maior. Essa portaria foi revogada.
A portaria 8 da Semob, que está em vigor, mudou o tamanho do adesivo e abriu a possibilidade da identificação não ser obrigatória, com autorização da secretaria. Mas essa regulamentação continua desagradando grande parte dos taxistas de pequenas cooperativas e grupos independentes. Por isso, eles buscaram a reunião com o secretário João Marcos de Araújo.
Os argumentos dos taxistas insatisfeitos
Segundo Fernando José, um dos líderes do MoveGru Táxi, obrigatoriedade dos adesivos parece uma medida pensada para o serviço de táxi antigo. Ele lembra que o setor mudou muito nos últimos anos. Depois de enfrentar uma crise econômica por volta de 2015, o setor foi abalado pela chegada dos carros de aplicativo e por dois anos de pandemia.
Fernando diz que o público de táxi mudou. Atualmente ele é formado em grande parte por empresas. E para os clientes corporativos, a identificação dos veículos não é necessária e, muitas vezes, é inconveniente. Estes clientes preferem carros mais discretos. Além disso, Fernando lembra que os adesivos trazem um custo extra para um setor que já teve sua margem de rendimento muito reduzida nos últimos anos.
O que o setor precisa, na visão destes taxistas, é de uma reformulação, que adapte o serviço de táxi aos novos tempos. Por isso, além de mudanças na regulamentação dos adesivos, eles fazem uma série de reivindicações à Semob. Fora as medidas já citadas acima, os taxistas pedem a inclusão de um segundo motorista como co-proprietário do veículo. E defendem a realização de um novo sorteio para as vagas de veículos no ponto do Aeroporto de Guarulhos. Eles lembram que o último sorteio aconteceu em 2014 e o fluxo de passageiros no local cresceu muito na última década.
Resultado da reunião
De acordo com Fernando José, a reunião foi encerrada com a promessa de mudanças na regulamentação do adesivo. Aliás, a ideia da Prefeitura é manter um item de padronização da frota. Mas, ele pode deixar de ser um adesivo e ser um símbolo de identificação imantadado, que possa ser colocado e retirado de acordo com a situação. Ele continuaria sendo de uso obrigatório na cidade de Guarulhos, mas poderia ser retirado em viagens para outras cidades ou durante transporte para cliente corporativo.
O modelo do símbolo também pode mudar e ser mais discreto. As entidades, inclusive, estão fazendo sugestões. O secretário João Marcos Araújo deve se reunir ainda com outras cooperativas de táxi da cidade, para ouvir suas posições sobre a padronização e suas sugestões para o setor. A reunião deve acontecer na próxima sexta-feira (27).
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