Falta de motoristas trava o transporte de cargas, grande empregador em Guarulhos

Profissão já não passa mais de pai para filho e poucos estão dispostos a enfrentar as dificuldades típicas da atividade

Edvaldo Nunes

redacao@guarulhostododia.com.br

West Cargo/Divulgação

Publicado em 03/03/2026 às 20:38 / Leia em 4 minutos

Um dos setores que mais gera empregos formais em Guarulhos vive uma crise por falta de mão de obra qualificada. A escassez de motoristas é atualmente o segundo principal motivo para o transporte de cargas no Brasil não crescer mais. A avaliação é das empresas do setor, consultadas em levantamento nacional da NTC&Logística (Associação Nacional de Transporte de Carga e Logística).

A falta de profissionais para a principal atividade do setor foi apontada por 28,1% dos entrevistados como entrave para o crescimento. Só perdeu para a “piora do mercado interno” (40,7%) e ficou à frente de “dificuldades de acesso ao capital” (17%). O transporte de carga é altamente dependente de mão de obra. Motoristas representam 19,5% dos custos do setor.

A constatação do problema parece influenciar a disposição dos empresários do setor em investir em soluções possíveis. Enquanto 61,5% dos entrevistados no levantamento dizem que não pretendem investir em renovação da frota em 2026, 92,6% deles dizem que planejam aplicar recursos em treinamento e capacitação de mão de obra.

Transportadora de Guarulhos

A transportadora West Cargo, de Guarulhos, já vem fazendo esse investimento. Localizada no Parque Industrial do Jardim São Geraldo, a empresa tem procurado formas de aumentar a remuneração dos motoristas, associadas à melhoria da produtividade do negócio. Além de salários acima da média do mercado, a empresa remunera os motoristas de acordo com critérios de direção segura (medidos por telemetria) e pelo volume de combustível que conseguem economizar (outro critério que pode ser medido). O programa garante ganhos cerca de 10% maiores para os motoristas.

Além do benefício salarial, o programa traz outros resultados, que beneficiam trabalhadores e a empresa. O incentivo e o treinamento de direção defensiva, por exemplo, reduzem o número de acidentes e o custo que eles geram. E também garante a vida e a saúde dos motoristas, que podem usufruir disso com suas famílias.

Luigi Rosolen, diretor da empresa, admite, no entanto, que mesmo assim, há dificuldades para retenção de bons profissionais. E de surgimento de novos profissionais dispostos a ocupar a função de motoristas. Rosolen afirma que o problema começou há cerca de 10 anos. Antes, a profissão de motorista de caminhão costumava passar de pai para filho. Nos últimos anos, os profissionais do setor não querem que seus filhos sigam a profissão deles.

Rosolen acredita que o surgimento da atividade de motorista de carros por aplicativo pode ser uma das influências para essa mudança cultural. Motoristas de transporte de carga muitas vezes precisam ficar muitos dias longe de casa e da família. E enfrentam sozinhos, condições de trabalho naturalmente estressantes.

Para o diretor da transportadora, a regulamentação do descanso, a criação de infraestrutura nas estradas e o esforço das empresas para reduzir as dificuldades para os caminhoneiros têm melhorado essa situação. Mas não o suficiente para concorrer com a atividade de motorista por aplicativo, em que o profissional faz o seu horário, define sua área de trabalho e não fica mais do que algumas horas longe da família.

Luigi Rosolen lembra que esse é um problema mundial. Por trabalhar muito com transporte para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, ele têm muito contato com transportadoras de outros países. Diz que já recebeu informações de escassez de motoristas para empresas do Estados Unidos, Espanha e vários outros países. “Quando a gente pergunta quais são seus maiores problemas, eles sempre citam a falta de motoristas. É um problema global, recorrente”, segundo o diretor da transportadora.

Importância do transporte de cargas em Guarulhos

Em Guarulhos, pelo tamanho e importância do transporte terrestre de carga para a economia da cidade, o problema é relevante. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, Guarulhos tinha em janeiro deste ano um “estoque” de 401.117 trabalhadores em empregos formais (com carteira assinada). Destes, 39.714 trabalhavam em empresas de transporte terrestre de carga. Ou seja, quase 10% do total de trabalhadores em empregos formais na cidade.

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GTD S.A. – Notícias das empresas que movimentam Guarulhos (Ed. 2)

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