A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada ao Governo de São Paulo, liberou na quarta-feira (25) a licença ambiental que autoriza o início das obras da Estação Dutra da Linha 19-Celeste do Metrô, em Guarulhos, na Grande São Paulo. O documento é um marco para o avanço da rede sobre trilhos na região, permitindo que a futura estação comece a ganhar forma no terreno vizinho ao Internacional Shopping.
Um ponto importante para a compreensão do morador de Guarulhos é que essa mesma estação já teve o início dos trabalhos autorizado pela companhia anteriormente, mas sob o escopo da Linha 2-Verde. Inclusive, a movimentação de canteiro e os trabalhos nos imóveis desapropriados já foram iniciados na última segunda-feira (23), com o fechamento de áreas, limpeza de terrenos e demolições, como as do antigo Bob Motel na rua José Sarraceni.
“O licenciamento ambiental é o principal instrumento de governança para viabilizar grandes projetos de infraestrutura. Ele integra critérios técnicos, define condicionantes e assegura que o desenvolvimento aconteça de forma planejada, com redução de impactos e maior eficiência na execução”, afirmou a diretora de Avaliação e Impacto Ambiental da Cetesb, Mayla Fukushima.
Durante as obras, estão previstas medidas para controle de poeira e ruído, além da gestão do material retirado das escavações. O projeto também inclui soluções para drenagem urbana, como jardins de chuva e pisos permeáveis, que ajudam na absorção da água.
Estação Dutra
Apesar de a futura estação Dutra ser o ponto de conexão entre a Linha 2-Verde e Linha 19-Celeste do Metrô, as duas linhas seguem ritmos contrários.
A Linha 2-Verde já é uma realidade em construção, com frentes de trabalho ativas na zona leste da capital paulista que avançam progressivamente em direção a Guarulhos. Para este ramal, a chegada da tuneladora (tatuzão) ao Brasil no início de março sinaliza que as escavações dos túneis entre a Penha e a estação Dutra devem começar no segundo semestre de 2026.

Já a Linha 19-Celeste, embora tenha recebido agora a licença da Cetesb, ainda não tem um cronograma bem definido. O processo de licitação do Lote 1, que compreende o trecho guarulhense, está sob análise da Justiça. Recentemente, uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) obrigou o Metrô a reavaliar a proposta do Consórcio Nove de Julho, composto pela brasileira Mendes Júnior e pelas chinesas PowerChina (Yellow River e Highland Build).
O consórcio havia sido inabilitado administrativamente pelo Metrô sob a alegação de falta de experiência técnica comprovada em escavações urbanas complexas. Com a desclassificação, o grupo Agis-OHLA-Cetenco havia sido declarado vencedor, mas a decisão judicial suspendeu essa contratação até que a proposta das empresas chinesas seja devidamente reanalisada. Esse impasse impede a assinatura imediata do contrato e a emissão da ordem de serviço para os projetos executivos da Linha 19.

Entendendo a expansão e a integração
Para reduzir a confusão do leitor, é preciso esclarecer que a Estação Dutra funcionará como um grande complexo de integração. Ela será o ponto final da extensão da Linha 2-Verde e, ao mesmo tempo, uma das principais estações da Linha 19-Celeste, que ligará o Bosque Maia ao Anhangabaú, no centro de São Paulo.
A Estação Dutra da Linha 2-Verde será a maior desta fase de expansão, com mais de 34 mil metros quadrados de área construída e profundidade de 35 metros na Linha 2-Verde. A obra terá investimento estimado em cerca de R$ 340 milhões. Ela contará com terminal de ônibus integrado e deve atender cerca de 86 mil passageiros por dia. As estruturas das duas linhas serão compartilhadas em alguns níveis para otimizar a execução e reduzir os impactos das obras na Vila Itapegica.
Já na Linha 19-Celeste, a estação terá 27 metros de profundidade e área equivalente a quatro campos de futebol. O investimento previsto é de R$ 671 milhões, e as obras devem durar cerca de seis anos.
Enquanto a Linha 2-Verde já está com obras em curso para entregar o trecho até 2033, a Linha 19-Celeste vive um estágio de pré-execução. A obtenção da licença ambiental nesta quarta-feira é um passo burocrático importante, mas o início efetivo das escavações deste novo ramal ainda depende do desfecho da disputa judicial entre os consórcios e da elaboração dos projetos detalhados de engenharia.