Com o início efetivo das obras do Metrô em Guarulhos, na extensão da Linha 2-Verde, o mercado que sente os primeiros efeitos positivos é o imobiliário. Agora, os corretores conseguem mostrar fisicamente para compradores, inquilinos e investidores que, de fato, ali naquele local ao lado do Internacional Shopping terá uma estação. Deixa de ser uma promessa, feita já há bastante tempo por quem negocia imóveis.
A Vila Augusta, o Itapegica e a Ponte Grande já vêm passando por um intenso processo de verticalização –assim como grande parte da cidade. No entanto, ali na região existe o acesso facilitado à Dutra, ideal para quem trabalha em São Paulo, além da diversidade de comércios, escolas, linhas de ônibus e do próprio Internacional Shopping.
O arquiteto e urbanista José Carlos Guerra cita o impacto que a avenida Guarulhos sofreu com a inauguração do Condomínio Único, o maior da cidade de Guarulhos, na década passada. São 17 torres de 17 andares, com oito apartamentos por andar. Mais de 2.300 unidades habitacionais e uma população que gira em torno de 5 mil a 7 mil moradores. É uma verdadeira cidade.
Em frente à futura estação Dutra, na outra parte do antigo estacionamento do Internacional, será construído o Pátio Guarulhos BP8. Serão construídas duas torres, com 468 unidades ao todo. Já há um plantão de vendas com decorados. Um dos argumentos dos corretores é o “potencial de valorização” dos imóveis por causa do Metrô.
O processo de verticalização deve ser acompanhado de contrapartidas para o bairro dar conta de absorver os novos moradores.
“O grande problema desse boom mercadológico imobiliário está na infraestrutura. Mobilidade é um problema, mas pensa na rede coletora de esgoto, na rede de coleta de lixo, saneamento, água potável, enfim, tudo isso sofre um impacto muito grande. E não tem jeito, porque os construtores buscam esses espaços que realmente atraem as pessoas. Você vê, por exemplo, que aconteceu no Tatuapé, no Anália Franco chegaram essas infraestruturas de transporte. O boom imobiliário foi absurdo”.
José Carlos Guerra, arquiteto e urbanista
No bairro do Tatuapé, o valor médio do metro quadrado é de R$ 10.375, de acordo com o índice publicado no site ZAP Imóveis, em abril. Já na Vila Augusta, uma das regiões mais valorizadas e verticalizadas de Guarulhos, o valor está na faixa de R$ 8.545.
“A cidade que recebe esses novos investimentos imobiliários, se ela não tiver preparada em relação à infraestrutura, em relação à mobilidade, em relação ao uso do solo, a gente já sabe o que vai acontecer, né?”, diz o Dr. Roberto Moreno, também arquiteto e urbanista, que reforça:
“Na questão de trânsito, por exemplo, se você pega uma rua que foi feita lá há 50 anos, uma rua de 10, 12 ou 14 metros de largura, você vai precisar de mais do que isso para você fazer a mobilidade funcionar direitinho. Então, eu vou insistir nisso de que nós temos [enquanto cidade] que tomar a iniciativa. O município tem que preparar um plano para aguentar todos esses impactos que vão acontecer”.
O sucesso da chegada do Metrô depende de como a cidade vai se conectar a ele. As estações não podem ser “ilhas de mobilidade”. É necessário que Guarulhos tenha regras claras para o adensamento, garantindo que ônibus, calçadas e ciclovias levem as pessoas até as futuras estações com segurança.
Para os próximos anos, o desafio de Guarulhos será equilibrar o “caos necessário” da construção com um planejamento rigoroso que impeça que a verticalização desordenada sobrecarregue ainda mais os serviços públicos. O futuro promissor do Metrô em Guarulhos começa agora, entre o barulho das demolições, as disputas judiciais e os empreendimentos imobiliários, mas a cidade tem que saber aproveitar os novos investimentos gerados para se tornar um ambiente melhor para quem vive e trabalha aqui.
- Leia a reportagem completa “Metrô em Guarulhos: Os desafios para conectar a cidade ao futuro”, na segunda edição da revista digital GTD+Negócios.