Os servidores públicos municipais de Guarulhos vão receber reajuste salarial de 2% este ano. É o terceiro ano seguido em que os funcionários públicos da Prefeitura têm os salários corrigidos abaixo da inflação. Em 2024 e 2025, o reajuste nos salários dos servidores também foi de 2%. Só em 2023 a correção dos salários da categoria na data-base (maio) foi de 4,5%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses foi de 4,42%. Naquele ano, os trabalhadores ainda tiveram mais 1,5% de correção a partir dos salários de outubro.
Em compensação, em 2022 os funcionários públicos do município também só tiveram 2% de reajuste nos salários. E nos anos de 2020 e 2021, com a justificativa dos impactos da pandemia de Covid-19 sobre a economia do país, os servidores de Guarulhos não tiveram nenhum reajuste salarial.
As votações
Na Câmara dos Vereadores, o projeto de lei com o aumento de 2% para 2026 foi recebido em um dia e aprovado no dia seguinte. Apesar de ter sido encaminhado pelo prefeito Lucas Sanches (PL) com pedido de urgência, pelo regimento interno o projeto poderia ter sido apreciado por mais tempo. O ritmo acelerado foi imprimido pelo presidente da Casa, vereador Fausto Martello (Republicanos). Ele convocou três sessões extraordinárias seguidas, no mesmo dia, para avaliação e votação do projeto de lei, em duas etapas.
Segundo o regimento interno da Câmara, as comissões que avaliaram o projeto antes da votação, por exemplo, com o regime de urgência teriam até cinco dias para darem seu parecer. No entanto, os pareceres favoráveis foram concedidos pouco tempo depois das comissões receberem o projeto. E a avaliação e votação, em duas etapas, ocorreram nas sessões extraordinárias convocadas pelo presidente. O reajuste de 2% nos salários foi aprovado por 26 votos a favor e 8 contrários.
Só oito vereadores defenderam reajustes de salários maiores para o funcionalismo municipal: Delegado Mesquita (PP), Edmilson Souza (PSOL), Fernanda Curti (PT), Guto Tavares (PDT), Janete Rocha Pietá (Rede), Marcelo Seminaldo (PT), Maurício Guti (Mobiliza) e Prof. Rômulo Ornelas (PT). Além de votarem contra o reajuste de 2% enviado pela Prefeitura, estes vereadores votaram a favor duas emendas modificativas, que alteravam o percentual de reajuste nos salários.
Uma destas emendas estabelecia o reajuste salarial deste ano em 7%. Esta emenda tinha como autores os vereadores Maurício Guti (Mobiliza), Janete Rocha Pietá (Rede) e Delegado Mesquita (PP). Ela recebeu 8 votos a favor e 22 votos contra. A outra emenda definia o reajuste de salários em 7,67%. O autor desta emenda foram os vereadores Edmilson Souza (PSOL), Janete Rocha Pietá (Rede),Marcelo Seminaldo (PT), Fernanda Curti (PT) e Mauricio Guti (Mobiliza). Esta emenda recebeu 7 votos a favor e 25 votos contrários.
Em discurso no plenário, o vereador Delegado Mesquita (PP) informou que tinha outra emenda para apresentar, com proposta de reajuste de 5%. O vereador afirma que não conseguiu registrar sua emenda, em razão do pouco tempo dado para isso nas comissões que avaliaram o projeto.
Com grande mobilização do funcionalismo municipal, tanto a sessão ordinária quanto as sessões convocadas para o projeto foram tumultuadas. A manifestação ruidosa da galeria incomodou o presidente Martello, que ameaçou chamar a polícia para retirar os manifestantes. Apesar do apoio maciço que o projeto da prefeitura recebeu nas votações, só o líder do Governo, vereador Geraldo Celestino (Mobiliza), subiu à tribuna para defender sua aprovação.
Além do líder do Governo e de vereadores contrários ao reajuste de 2%, só o presidente, vereador Martello, se manifestou. Incomodado com a manifestação da galeria, Fausto Martello criticou os servidores municipais que, segundo ele “não elegem ninguém” e “dependem do sindicato”. Martello chamou os manifestantes de “massa de manobra”.
O que mais prevê o projeto aprovado
Além de reajuste de 2% nos salários, a partir de 1º de maio, o projeto de lei aprovado também prevê o pagamento de um abono de R$ 260,10 para todos os servidores que recebem salário de até R$ 4.080,00. O valor do vale-refeição e do vale-alimentação passa para R$ 1.297,05. Sobre este valor serão realizados descontos nos vencimentos, de acordo com a faixa salarial, de 1%, 5%, 10% ou 15%. O valor mensal da cesta básica passa a ser de R$ 391,35, pagos para servidores com salários de até R$ 8.160,00. Sobre este valor também serão realizados descontos por faixa salarial, de 1%, 2% ou 3%.
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