No canteiro de obras da futura estação Penha, teve início nesta semana uma nova fase técnica da expansão da Linha 2-Verde do Metrô: a soldagem da roda de corte da tuneladora chamada Hebe Camargo, o tatuzão. O componente é considerado o principal item do equipamento, sendo a peça fundamental para o processo de abertura dos túneis que conectarão a capital paulista ao município de Guarulhos.
A roda de corte impressiona por suas proporções, como você pode ver na imagem principal desse texto. São 11,67 metros de diâmetro, o que equivale à altura de um edifício de quatro andares. Com 286 toneladas, ela é a parte mais pesada de toda a tuneladora.
Posicionada na extremidade frontal, sua função é cortar e desagregar o solo conforme a máquina avança. Para isso, utiliza um sistema complexo composto por discos de corte, raspadores e mecanismos de injeção de água e espuma, garantindo a estabilidade e a eficiência da escavação. O processo de união das cinco partes que formam a roda de corte mobiliza mais de 20 profissionais especializados.
Antes da soldagem, a estrutura passou por um rigoroso protocolo preparatório, que incluiu o pré-posicionamento das peças, alinhamento por topografia e diversos ensaios de qualidade. Após a soldagem, serão realizados novos testes, seguidos pela instalação das ferramentas de corte e a pintura frontal. Finalizada essa etapa, a roda será levada para o fundo da vala na estação Penha para ser acoplada ao corpo principal da tuneladora.
A Hebe Camargo é a maior máquina deste tipo em operação na América Latina e a maior já utilizada em obras metroviárias no Brasil. O equipamento possui 133 metros de extensão e pesa cerca de 2.600 toneladas. Uma de suas principais características é a tecnologia Dual Mode, que permite a operação segura em diferentes tipos de geologia, adaptando-se às variações do solo urbano. A previsão é que os trabalhos de escavação comecem no segundo semestre de 2026, com capacidade de avançar até 15 metros por dia.

Para viabilizar a operação, o Consórcio Linha 02 Verde CGC, formado pelas empresas Crasa, Ghella e Consbem, obteve recentemente uma autorização crucial da SP Águas. Trata-se da outorga para o uso de recursos hídricos, permitindo a captação de águas subterrâneas por meio de três poços tubulares. O volume autorizado é de 720 m³ diários, destinados exclusivamente para fins técnicos da obra, como o resfriamento dos sistemas da máquina, o controle da pressão do solo e a estabilização do terreno. Essa liberação ambiental e operacional é importante para evitar atrasos e mitigar riscos geotécnicos em áreas urbanas densas.
O trajeto que será escavado pela tuneladora tem cerca de sete quilômetros de túneis, partindo da Penha em direção à futura estação Dutra, em Guarulhos. O projeto completo de expansão prevê a criação das estações Penha de França, Gabriela Mistral, Fernão Dias, Ponte Grande e Dutra, com a entrega prevista para ocorrer a partir de 2032.
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