Um risco que passa despercebido, mas não é silencioso. O uso de fones de ouvido com volume excessivo é atualmente uma grande ameaça para a audição futura dos jovens. O alerta vem de um dos maiores especialistas em surdez do país, Robson Koji Tsuji, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia. Segundo o médico, “estamos criando uma geração de futuros deficientes auditivos. O dano causado pelo ruído é cumulativo e irreversível. A perda auditiva não ‘dói’, ela acontece aos poucos, e quando o paciente percebe, geralmente já é tarde demais”.
O Dr. Tsuji explica que o principal problema é a exposição ao volume muito alto, por muito tempo: “o uso de fones de ouvido, especialmente os intra-auriculares, por horas a fio e em volumes que ultrapassam os 85 decibéis – o equivalente ao ruído de um liquidificador – causa lesões permanentes nas células sensoriais da cóclea. Estamos vendo pacientes cada vez mais jovens em consultório, com perda auditiva que, antes, só esperaríamos em idosos”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça a preocupação do especialista brasileiro. A OMS estima que mais de um bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos correm o risco de ter a audição prejudicada devido à exposição prolongada e excessiva a ruídos recreativos, incluindo músicas em fones de ouvido e shows.
Prevenção
Além de fazer o alerta, Dr. Robson Tsuji também informa como se prevenir. Coordenador do Grupo de Implante Coclear do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC FMUSP), ele diz que a prevenção é a única solução. “A principal recomendação é a regra do 60/60: nunca utilizar os fones de ouvido acima de 60% do volume máximo e por, no máximo, 60 minutos seguidos. É preciso fazer pausas, deixar o ouvido descansar. E, para quem frequenta shows ou ambientes muito barulhentos, o uso de protetores auriculares é fundamental”, afirma o também presidente do comitê de implantes cocleares da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia.
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