Segunda-feira, 17 de agosto de 2026 MPJ|Mais Pelo Jornalismo
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Guarulhos vai ter que esperar um pouco mais para as obras da Linha 19-Celeste do Metrô

Antes de assinar contrato, companhia vai ter que se explicar ao Tribunal de Contas do Estado, que pode até suspender a concorrência

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Projeção da futura estação Bosque Maia, na Linha 19-Celeste do Metrô em Guarulhos
Projeção da futura estação Bosque Maia, na Linha 19-Celeste do Metrô (Foto: Divulgação)

O sonho dos moradores de Guarulhos de ver o início das obras da Linha 19-Celeste do Metrô sofreu um novo revés na última semana.

(Aqui, um aviso: não confunda as obras da Linha 19-Celeste com a da Linha 2-Verde, que já está em andamento na Dutra e segue a sua programação normal)

Após uma sinalização positiva para o avanço do projeto no final de maio, um novo impasse jurídico envolvendo órgãos de controle pode postergar a assinatura do contrato e o começo efetivo das intervenções no município.

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No dia 22 de maio de 2026, o Metrô de São Paulo havia dado sinal verde para a consolidação do projeto ao habilitar o Consórcio Agis-OHLA-Cetenco como o vencedor da licitação para a construção do Lote 1 da Linha 19-Celeste. Esse lote específico abrange um orçamento de R$ 4,98 bilhões e engloba justamente o trecho com as cinco estações previstas para Guarulhos: Itapegica, Dutra (com ligação para a Linha 2-Verde), Vila Augusta, Guarulhos-Centro e Bosque Maia.

No entanto, a tramitação do processo licitatório entrou na mira do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. O conselheiro do TCE-SP, Renato Martins Costa, cobrou explicações do Metrô a respeito de um suposto conflito de interesses na condução do certame. A Justiça quer entender se a estatal se omitiu ao analisar a contratação de um ex-diretor da própria companhia por uma das empresas que integram o grupo vencedor.

O pivô do questionamento é o engenheiro Paulo Sérgio Amalfi Meca, ex-diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô. Segundo denúncias enviadas pelo consórcio chinês Nove de Julho, desclassificado do edital, Meca trabalhou durante 36 anos na estatal e participou de etapas importantes de planejamento da Linha 19-Celeste, tendo inclusive assinado o relatório de impacto ambiental do ramal e conduzido reuniões com prefeituras.

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O engenheiro se aposentou da companhia em 2024 e, em sequência, foi contratado para integrar a estrutura diretiva da construtora Agis, líder do consórcio vencedor.

Essa movimentação tem gerado disputa entre as corporações participantes. Inicialmente, o grupo que apresentou a proposta financeira mais vantajosa --cerca de R$ 29 milhões mais barata que a segunda colocada-- foi o Consórcio Nove de Julho, composto pela construtora nacional Mendes Júnior e pelas subsidiárias chinesas Yellow River e Highland Build, controladas pela gigante PowerChina.

Contudo, o Metrô desclassificou o grupo sob a justificativa de que os atestados técnicos apresentados mostravam apenas experiência em obras de espaços rurais. O edital exigia comprovação de capacidade para operar tuneladoras, os tatuzões, em ambientes urbanos densamente povoados e profundos, cenário típico de São Paulo e Guarulhos.

O consórcio eliminado da disputa acionou o Tribunal de Contas e o Ministério Público de São Paulo. O Consórcio Nove de Julho alega que o Metrô ignorou os alertas formais emitidos durante o processo sobre a participação de uma empresa que absorveu em seus quadros um funcionário público envolvido na elaboração daquela mesma licitação, o que violaria as diretrizes da Lei das Estatais.

Com base nisso, o TCE-SP estipulou um prazo de dez dias úteis para que a companhia metroviária se manifeste e apresente defesas completas antes de avaliar um pedido de paralisação cautelar de toda a concorrência.

Impasse na obra da Linha 19-Celeste

Essa intervenção do órgão de controle deve provocar novos atrasos no cronograma. Como a habilitação oficial do Consórcio Agis-OHLA-Cetenco ocorreu em maio, a expectativa era de que os trâmites administrativos para a assinatura do contrato seguissem sem sobressaltos.

Com a abertura do processo investigativo e os prazos concedidos para respostas, o cronograma fica sob risco de suspensão temporária por determinação judicial ou do tribunal, o que impede a emissão da ordem de serviço para o começo das atividades de campo.

Questionada sobre o andamento das investigações e a lisura do processo, a administração do Metrô enviou um posicionamento ao portal de notícias G1 defendendo a total regularidade da concorrência pública. A gestão estadual informou que prestará todos os esclarecimentos necessários ao Tribunal de Contas assim que for notificada oficialmente e destacou que o procedimento se encontra na fase de recursos administrativos, antes da assinatura de contrato, onde todas as dúvidas dos concorrentes estão sendo respondidas com transparência.

Por sua vez, a assessoria de imprensa da construtora Agis encaminhou esclarecimentos ao jornal Estadão sobre o vínculo com o ex-dirigente. A empresa declarou que a admissão do profissional ocorreu estritamente após a sua aposentadoria formal do Metrô e foi motivada por sua experiência de mercado no setor de transportes sobre trilhos. A companhia ressaltou que a contratação cumpre todos os dispositivos da Lei Federal nº 13.303/2016, a Lei das Estatais, e atende de forma integral às normas jurídicas vigentes no país.

O resumo do imbróglio em 5 pontos

  • O Metrô habilitou o Consórcio Agis-OHLA-Cetenco para construir o Lote 1 da Linha 19-Celeste por R$ 4,98 bilhões. Este trecho é o de Guarulhos; engloba as cinco estações previstas para o município: Itapegica, Dutra, Vila Augusta, Guarulhos-Centro e Bosque Maia.
  • O TCE-SP cobrou explicações do Metrô sobre um suposto conflito de interesses na licitação. O Tribunal atendeu a um pedido do Consórcio Nove de Julho, grupo desclassificado do certame, e quer avaliar se a estatal se omitiu ao analisar o caso antes de aprovar a assinatura do contrato.
  • O pivô da contestação é Paulo Sérgio Amalfi Meca, ex-diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô. Ele trabalhou por 36 anos na estatal, participou do planejamento da Linha 19-Celeste e, após se aposentar, foi contratado pela construtora Agis, integrante do consórcio vencedor da disputa.
  • O Consórcio Nove de Julho, liderado pela PowerChina e parceiro da Mendes Júnior, havia apresentado a proposta mais barata, mas acabou desclassificado. O Metrô alegou falta de capacidade técnica urbana, mas os chineses afirmam que a contratação de Meca pela concorrente viola a Lei das Estatais.
  • O tribunal deu 10 dias úteis para o Metrô se manifestar antes de decidir sobre a suspensão cautelar da licitação. O impasse pode paralisar temporariamente o cronograma e atrasar a assinatura do contrato e a emissão da ordem de serviço para o início das obras.

Os próximos passos para a obra da Linha 19-Celeste

Quando esse imbróglio for resolvido e a empresa vencedora, de fato, for definida, o próximo passo é a assinatura do contrato de prestação de serviços. Contudo, o morador de Guarulhos precisará ter um pouco de paciência, pois o início das obras não será tão rápido.

A aprovação do consórcio encerrará apenas uma das muitas etapas burocráticas. Antes de ver o canteiro montado, o grupo vencedor terá de elaborar o chamado projeto executivo, que é o desenho de engenharia detalhado de como as estações serão construídas. O Metrô ainda precisa obter as licenças ambientais de instalação junto aos órgãos de proteção e dar andamento aos longos processos de desapropriação de imóveis nas áreas mapeadas para receber as futuras paradas.

Além disso, há pendências na Justiça para resolver com os Lotes 2 e 3, referentes às 10 estações da Linha 19-Celeste que serão construídas na zona norte e no centro de São Paulo.

Por causa de toda essa complexidade de papelada e autorizações que antecedem as escavações, o Metrô ainda não trabalha com uma previsão exata para o início efetivo das obras ou para as notificações de desapropriação.

De acordo com o histórico da companhia para projetos desse porte, após a desapropriação e início das obras, uma estação de Metrô leva a partir de seis anos para ficar totalmente pronta para o uso da população.

A Linha 19-Celeste será totalmente subterrânea e usará três grandes tatuzões para conectar Guarulhos ao centro de São Paulo, conectando o Bosque Maia ao Anhangabaú. Aqui em Guarulhos, a obra do Metrô que já está em andamento é a de extensão da Linha 2-Verde, que inclui as estações Dutra e Ponte Grande.

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