As obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo entram em uma fase mais visível para quem circula pelo limite entre a capital paulista e Guarulhos. Quem passa pela região do Parque Novo Mundo, na avenida Educador Paulo Freire, já consegue observar a dimensão da área destinada ao futuro Pátio Paulo Freire, um complexo operacional de 150 mil metros quadrados projetado para abrigar a infraestrutura de apoio, estacionamento e manutenção da frota que atenderá a extensão do ramal.
Atualmente, o terreno do pátio passa por serviços diuturnos de preparação, estudos de solo, movimentação de terra e adequação da área. A implantação desta estrutura é um dos pilares logísticos para viabilizar a chegada do Metrô à cidade de Guarulhos.
O Pátio Paulo Freire foi planejado para ser o maior centro de suporte da Linha 2-Verde após sua extensão. O projeto prevê um total de 34 vias férreas capazes de acomodar até 32 composições simultaneamente, além de vias dedicadas a testes dinâmicos.
O complexo vai concentrar:
- Oficinas para manutenção preventiva e corretiva dos trens.
- Instalações para lavagem e limpeza interna e externa das composições.
- Almoxarifados e galpões de peças de reposição.
- Blocos técnicos, salas administrativas e subestações elétricas dedicadas.
O projeto conta com medidas de manejo e compensação ambiental. A área onde o pátio está sendo implantado passou pela remoção de árvores, predominantemente leucenas, uma espécie considerada invasora que ocupava quase 70 mil metros quadrados. E por que invasora? Porque a proliferação dessa planta, originária do México e do norte da América Central, inibe o desenvolvimento de espécies nativas.
Em contrapartida, o projeto prevê o plantio de 600 árvores nativas no próprio canteiro, além do reflorestamento de mais de 16 hectares no Parque Natural Municipal Fazenda do Carmo, sob o acompanhamento de equipes de biólogos e veterinários.

Como os trens vão acessar o novo pátio
A conexão entre a via principal da Linha 2-Verde e o Pátio Paulo Freire exigiu uma solução complexa de engenharia para vencer as barreiras geográficas da região.
Os trens que circulam em direção a Guarulhos passarão pela estação Fernão Dias em traçado subterrâneo. Logo após a parada, a via principal segue em nível por uma extensão curta e, em seguida, inicia uma rampa ascendente com inclinação de 4%.
A partir dessa rampa, as composições destinadas à manutenção ou estacionamento sobem para uma via elevada. Essa estrutura em viaduto fará a transposição do Córrego Cabuçu de Cima e das pistas da Avenida Educador Paulo Freire. Na sequência, a via atinge o nível do pátio ferroviário. As manobras de entrada e saída serão articuladas na região do poço de ventilação VSE São Pedro, localizado no trecho entre as estações Fernão Dias e Ponte Grande.

Obras da estação Fernão Dias em ritmo acelerado
Do outro lado da Avenida Educador Paulo Freire, o canteiro de obras da futura estação Fernão Dias já se encontra em fase avançada de escavação, cenário registrado em recentes sobrevoos do canal Bueno Drone.
O canteiro opera com trabalhos 24 horas por dia. A construção adota uma estrutura baseada em grandes poços circulares secantes que atingem dezenas de metros de profundidade, onde as equipes executam a aplicação do revestimento primário de concreto e a retirada contínua de solo. Essa estação servirá como ponto de embarque antes do cruzamento sob a Rodovia Presidente Dutra e o limite com Guarulhos.

O traçado da Penha de França até a estação Dutra
O Pátio Paulo Freire e a estação Fernão Dias fazem parte da segunda etapa de expansão da Linha 2-Verde. Esse trecho contempla uma extensão de 5,8 quilômetros de vias e cinco novas estações, partindo da Estação Penha de França e encerrando na Estação Dutra, no município de Guarulhos.
As cinco estações que compõem este trecho do Metrô até Guarulhos da Linha 2-Verde são:
- Estação Penha de França: com poço principal e corpo da estação em fase de escavação e tratamento estrutural;
- Estação Gabriela Mistral: com trabalhos de prospecção, instalação de piezômetros e limpeza do terreno;
- Estação Fernão Dias: com escavações em nível avançado no Parque Novo Mundo;
- Estação Ponte Grande: primeira parada dentro dos limites municipais de Guarulhos; o processo de desapropriação ainda não foi concluído;
- Estação Dutra: estação terminal situada na Rua José Sarraceni, ao lado do Internacional Shopping Guarulhos. Os imóveis foram demolidos; o terreno está na fase de limpeza.
A escavação subterrânea desse percurso será realizada pelo Tatuzão Hebe Camargo, tuneladora de 133 metros de comprimento e 11,67 metros de diâmetro que está com a sua montagem em andamento na Penha e deve começar a escavar em breve.

Na estação terminal Dutra, que terá 34,3 mil metros quadrados de área construída totalmente subterrânea a uma profundidade de mais de 35 metros, as demolições dos imóveis desapropriados já foram concluídas. A parada foi projetada para receber um fluxo diário de cerca de 86 mil passageiros e contará futuramente com integração à Linha 19-Celeste e a um novo terminal de ônibus.
A entrega oficial do trecho que liga a Penha de França a Guarulhos está prevista pelo Governo do Estado de São Paulo a partir de 2032. Quando estiver concluído, o sistema permitirá o deslocamento direto dos moradores de Guarulhos para regiões como Vila Prudente, Paraíso e Avenida Paulista.


