Primeiro mês do tarifaço do Trump: Guarulhos não sofre impacto e aumenta vendas para os EUA

Explicação pode estar na lista de exceções definida pelos Estados Unidos na última hora, retirando petróleo e derivados da cobrança de 50%

Edvaldo Nunes

redacao@guarulhostododia.com.br

GRU Airport/Divulgação

Publicado em 05/09/2025 às 16:53 / Leia em 4 minutos

Em vigor desde o dia 6 de agosto, o aumento das tarifas de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos para 50% já teve efeito sobre as exportações nacionais. As vendas do Brasil para os EUA caíram 18,5%, na comparação com agosto de 2024, segundo os dados da balança comercial, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O Brasil vendeu US$ 2,8 bilhões de dólares para os Estados Unidos em agosto e comprou US$ 4 bilhões em produtos americanos. Um valor 4,6% maior do que em agosto de 2024. O déficit comercial do Brasil com os EUA, neste mês, foi de US$ 1,2 bilhão.

Para Guarulhos, por incrível que pareça, o tarifaço de Trump ainda não teve impacto. Neste primeiro mês de vigência da medida, as exportações de Guarulhos para os Estados Unidos cresceram 10,60% e atingiram US$ 59 milhões. As importações de produtos dos EUA por Guarulhos foram de US$ 52,9 milhões, com queda de 5%. Como resultado, Guarulhos teve um superávit de US$ 6,1 milhões em agosto, no comércio com os Estados Unidos.

Os Estados Unidos, aliás, continuam sendo o principal destino das exportações guarulhenses. Em agosto, eles compraram 31,2% de tudo o que Guarulhos exportou. No período de janeiro a agosto, essa participação foi de 25,7% (US$ 418,5 milhões) e em 2024 foi de 23,3% (US$ 609,9 milhões). O segundo país a mais importar produtos de Guarulhos em agosto foi a Argentina, com distantes 8,3% de participação (US$ 15,8 milhões). No acumulado janeiro-agosto, os Estados Unidos também lideraram o ranking de compradores de produtos guarulhenses (25,7% do total), com US$ 418,5 milhões. Em 2024, também liderança americana (23,3%), com US$ 609,9 milhões.

Já nas compras que Guarulhos faz de produtos de outros países, em agosto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar (21,4%), com US$ 52,9 milhões, abaixo dos US$ 55,5 milhões comprados de produtos chineses (22,5%). No acumulado janeiro-agosto deste ano, os EUA lideram, com a venda de US$ 505,3 milhões (25,2%) em produtos para Guarulhos, contra US$ 439,2 milhões (21,9%) da China. Em 2024, a liderança também foi americana, com US$ 693,3 milhões (25,4%), seguida de perto pelos US$ 680,3 milhões (24,9%) dos produtos chineses.

Por que Guarulhos está ileso ao tarifaço, ao menos por enquanto?

Uma possível explicação para a resistência das exportações guarulhenses ao tarifaço de 50% promovido por Donald Trump contra os produtos brasileiros talvez esteja na lista de exceções a essa tarifa. Antes da entrada em vigor do tarifaço, no dia 6 de agosto, os Estados Unidos divulgaram uma lista de produtos que ficariam isentos do aumento. Entre estes produtos isentos de tarifa extra estão Energia e Produtos Energéticos. Ou seja, petróleo e derivados, como querosene, óleos lubrificantes, coque de petróleo, betume e parafina. E estes são os produtos que Guarulhos mais exporta.

O item “óleos de petróleo e produtos betuminosos” respondeu por 44,9% das exportações de Guarulhos em agosto. No acumulado janeiro-agosto, a participação desse item foi de 51,7% e no ano de 2024 foi de 53,9%. Ou seja, praticamente metade das exportações de Guarulhos estão na lista de exceções do tarifaço do Trump. A lista inclui ainda Eletrônicos e itens semiacabados e componentes industriais de ferro, aço, alumínio e cobre, que também são itens importantes da pauta exportadora guarulhense.

As más notícias para Guarulhos na balança comercial de agosto

Se os dados da balança comercial de agosto trouxeram boas novas para os empresários guarulhenses que exportam para os EUA, o mesmo não se pode dizer sobre o dado geral. Em agosto, as vendas de produtos guarulhenses para outros países foram de US$ 189,1 milhões. Uma queda de 22,1% na comparação com agosto de 2024. O déficit comercial de Guarulhos, em agosto, foi de US$ 57,4 milhões. E esse número só não foi maior, porque as importações de Guarulhos também caíram 1,3% e ficaram em US$ 246,5 milhões.

Em agosto, Guarulhos ficou em 8º lugar no ranking de exportações no estado de São Paulo e em 29º no ranking nacional. Em importações, Guarulhos ficou em 9º lugar em São Paulo e em 25º no Brasil. Neste mês, Guarulhos teve participação de 2,9% nas exportações paulistas e de 0,6% nas exportações brasileiras. Em relação às importações, a participação de Guarulhos foi de 3,4% em São Paulo e de 1% no Brasil.

Leia mais: Primeiro mês do tarifaço do Trump: Guarulhos não sofre impacto e aumenta vendas para os EUA

Como a indústria de Guarulhos e região será afetada pelo ‘tarifaço de Trump’

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