Os deputados estaduais paulistas aprovaram projeto do Governo do Estado que extinguiu a Fundação para o Remédio Popular (Furp) e passou as atribuições da entidade para o Instituto Butantan. A Furp era uma fundação estadual, que produzia remédios para a rede pública de saúde. Com duas fábricas no Estado, uma em Guarulhos e outra em Américo Brasiliense, a fundação produzia atualmente 30 medicamentos. A fábrica de Guarulhos foi inaugurada em 1984, com 200 mil metros quadrados, na rua Endres, na Vila Itapegica.
A produção destes medicamentos será assumida pelo Instituto Butantan, que até agora só produzia vacinas (gripe/influenza, hepatite A e B, HPV, raiva e DTPa), 12 tipos de soros e anticorpos monoclonais. A expectativa é de que, com a incorporação, a produção de remédios passe dos atuais 30 para a produção de 65 remédios nos próximos cinco anos. Segundo nota do Instituto Butantan, “o novo modelo permitirá o aumento do portfólio dos medicamentos nos próximos anos, incluindo aqueles com maior exigência de tecnologia e mais críticos ao SUS. As fábricas de Guarulhos e Américo Brasiliense serão mantidas e utilizadas para esse fim”.
O projeto enviado pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa autorizava uma possível venda dos imóveis das fábricas da Furp. Mas um acordo entre os deputados garantiu a retirada desse artigo, além do acréscimo de uma garantia da manutenção dos empregos dos funcionários da fundação. Graças a esse acordo, o projeto foi aprovado nesta terça-feira (11), em votação simbólica.
A justificativa para a extinção
A justificativa apresentada pelo Estado para a extinção da Furp foi a apresentação de déficits contínuos nas contas da entidade. Segundo o secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, entre 2011 e 2023 a fundação acumulou um déficit de R$ 395 milhões. Cerca de R$ 30 milhões de déficit por ano. De acordo com a nota do Butantan, “a incorporação da FURP ao Instituto Butantan tem o potencial de alavancar a produção de fármacos pelo Estado de São Paulo. A FURP tem condições de voltar a ofertar mais medicamentos ao SUS e de voltar a ser uma grande referência de farmacêutica para todos os municípios do estado de São Paulo e do Brasil”.
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