Água no verão: entenda o papel essencial das chuvas de dezembro

Tem chovido abaixo da média e o nível dos reservatórios continua caindo - qual é a previsão para dezembro e o que acontece se não chover?

Edvaldo Nunes

redacao@guarulhostododia.com.br

Rosa Rovena/Agência Brasil

Publicado em 02/12/2025 às 14:09 / Leia em 6 minutos

Novembro acabou, com o nível dos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo em 25,9%. Um mês antes, em 30 de outubro, o nível estava em 28%. No Sistema Cantareira, que sozinho abastece 46% da população da Grande SP, o nível caiu para 21% neste mesmo dia. Hoje, 02 de dezembro, o nível já caiu para 20,7%. Um nível mais baixo do que o registrado em fevereiro de 2016 (21,4%), durante a crise hídrica em São Paulo.

No mês, o volume acumulado de chuva foi de 82,7 milímetros (mm), enquanto a média histórica para novembro é de 142,6 mm e em novembro de 2024 choveu 98,8 mm. Novembro foi o décimo mês seguido em que as chuvas registradas ficaram abaixo da média histórica.

O nível dos reservatórios só não caiu mais porque a quantidade de água retirada do sistema diminuiu, em razão da redução da pressão no sistema de abastecimento durante 10 horas, no período noturno. Desde o dia 27 de agosto, quando a medida foi adotada (inicialmente por oito horas), já foram economizados mais de 41 bilhões de litros de água, segundo a Sabesp. Agora em novembro, até a cidade de São Caetano do Sul, onde a distribuição de água não é feita pela Sabesp, foi obrigada a adotar a redução de pressão noturna na rede de abastecimento.

Previsão de chuvas para dezembro

O prognóstico climático do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta chuvas acima da média para áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. Já a região Sul deve ter precipitações abaixo do esperado em toda a sua área. Para o Sudeste, a previsão é de que as chuvas acima da média sejam associadas a temperaturas também superiores à média.

No entanto, como é possível observar no mapa abaixo, produzido pelo Inmet, pelo menos parte da Grande São Paulo está localizada em uma área com mancha cinza. Isso indica que essas áreas têm previsão para dezembro de “anomalias de precipitação” entre 10 mm a mais ou 10 mm a menos em relação à média histórica. Ou seja, as chuvas no mês podem ficar dentro da média esperada para dezembro, quanto um pouco acima ou até um pouco abaixo.

Gráfico do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia)

Alerta do Cemaden

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgou em novembro um alerta sobre a situação atual e a projeção hidrológica do Sistema Cantareira. Segundo o órgão do governo federal, o sistema está “em condição de seca hidrológica de intensidade entre extrema e moderada”. O Cemaden previu que, mesmo considerando que os dois últimos meses do ano sejam tradicionalmente chuvosos, no final de dezembro o volume útil do Sistema Cantareira deve atingir 32%. Nesse nível, o sistema sairia da condição de operação de “Restrição”, mas permaneceria na faixa de “Alerta”. Ou seja, “mesmo com a retomada das chuvas, não se espera uma recuperação expressiva nos níveis de armazenamento nos primeiros meses”.

Para o final do período de janeiro a março, tradicionalmente chuvosos, o modelo de previsão adotado pelo Cemaden indica uma estimativa de volume útil em 60%. O que deixaria o sistema em estado de “Atenção”. Mas chuvas abaixo da média para o período podem agravar a situação: “em um cenário com 25% menos de precipitação, o volume ao final de março pode cair para 36%, enquanto um cenário com déficit de 50% aponta para apenas 18% de armazenamento —classificados entre as faixas de ‘Alerta’ e ‘Emergência’ (inferior a 20%)”. No entanto, tudo pode mudar, se chover além do esperado. Segundo o relatório, “em um cenário mais favorável, com chuvas 25% acima da média, os reservatórios alcançariam 87% da capacidade total, na faixa de operação ‘Normal’ (armazenamento superior a 60%)”.

Que medidas podem ser adotadas

Desde outubro a Região Metropolitana de São Paulo tem um novo modelo de gestão hídrica integrada. O objetivo, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), é “proteger os reservatórios e mananciais do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) e garantir o abastecimento da população”. A secretaria coordena o trabalho, que é monitorado pela SP Águas, agência reguladora do Estado. A Sabesp, como principal operadora do sistema na região, executa o programa a partir das orientações da agência.

O sistema adotado estabelece sete faixas de atuação, de acordo com o monitoramento permanente do nível dos reservatórios, da produção de água (afluências), do consumo e do volume de chuvas. As sete faixas de atuação são definidas de acordo com a situação verificada por esse monitoramento e as medidas de contingência necessárias em cada cenário.

As faixas 1 e 2 estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA), com redução da pressão da água na rede, no período noturno, por oito horas. Na faixa 3, que onde a Região Metropolitana de São Paulo se encontra atualmente, a redução da pressão da água é reduzida por 10 horas, durante a noite. E são realizadas campanhas de conscientização sobre economia de consumo de água.

Na faixa 4, o período de redução noturna da pressão da água na rede passa para 12 horas. Na faixa 5, o período é de 14 horas. E na faixa 6 passa para 16 horas. A faixa 7 é o cenário mais grave e prevê o rodízio de abastecimento entre regiões e fornecimento de caminhões-pipa para serviços essenciais. Para garantir a previsibilidade, a mudança nas medidas de restrição só ocorrem depois de sete dias consecutivos com os índices numa mesma faixa. E a volta para medidas menos restritivas só ocorre depois de 14 dias com índices mais brandos.

É possível acompanhar diariamente a situação no Sistema Integrado Metropolitano, com informações sobre o nível definido para cada uma das sete faixas, através da internet. Nesta terça-feira (02), por exemplo, o nível de Normalidade, anterior às sete faixas de atuação, estava entre 100% e 40,81% do nível dos reservatórios do sistema. A faixa 1 estava entre 40,8% e 34,81%. A faixa 2, entre 34,8% e 28,81. A faixa 3 estava entre 28,8% e 22,81%. Como estamos com os reservatórios em 25,50%, estamos nessa faixa 3. Já a faixa 4 estava entre 22,81% e 16,81%, a faixa 5 entre 16,8% e 6,81%, a faixa 6 entre 6,8% e -3,19% e a faixa 7 abaixo de -3,19%.

Mais água no sistema

Uma obra entregue nesta segunda-feira (1º) deve aliviar um pouco a situação no sistema Alto Tietê, parte do Sistema Integrado Metropolitano (SIM). A Sabesp instalou geradores que permitem o bombeamento de até 2.500 litros por segundo da bacia do rio Itapanhaú, na Serra do Mar, até o sistema Alto Tietê. Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a integração permite um aumento de 17% do volume de água no reservatório. A medida beneficia 22 milhões de pessoas.

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