Tarifa da Sabesp: Conta de água vai ficar 6,11% mais cara em Guarulhos a partir de 2026

Governo de São Paulo diz que não houve aumento real para o consumidor, pois o índice apenas acompanhou a inflação

Vinícius Andrade

redacao@guarulhostododia.com.br

(Foto: Guarulhos Todo Dia)

Publicado em 02/12/2025 às 11:09 / Leia em 4 minutos

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) foi autorizada a reajustar as tarifas de água e esgoto a partir de 1º de janeiro de 2026. A decisão, tomada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), afeta as cidades atendidas pela região URAE-1, que inclui Guarulhos. A conta vai ficar 6,1106% mais cara.

Este é o primeiro aumento após o processo de privatização da companhia. O porcentual refere-se à recomposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado ao longo de 16 meses, compreendendo o período de julho de 2024 a outubro de 2025.

Como o aumento afeta a conta

O reajuste impacta diretamente o bolso do guarulhense, especialmente quem consome mais. Como exemplo, para uma conta de água de tarifa residencial com consumo entre 11m³ e 20m³, o custo de mil litros passará de R$ 6,01 para R$ 6,40 por metro cúbico.

O aumento chega em um momento de preocupação crescente com a distribuição e o abastecimento na Grande São Paulo e em Guarulhos, causados pela falta de chuvas nos últimos meses. O Sistema Cantareira, principal reservatório, atingiu um nível crítico, o mais baixo em quase 10 anos, com apenas 21,3% do volume total disponível em novembro de 2025.

Diante deste cenário de pouca chuva, a Sabesp já adota a redução da pressão da água no período noturno, das 19h às 5h, em toda a região metropolitana, como medida preventiva para preservar os reservatórios e reduzir perdas por vazamentos.

A situação do abastecimento tem gerado problemas sérios de distribuição localmente. Moradores de 36 bairros de Guarulhos enfrentaram um período de falta d’água de mais de três dias na semana do feriado de 20 de novembro. A interrupção no fornecimento, que começou na quarta-feira (19) e durou até domingo (23) em algumas regiões, foi justificada pela Sabesp como resultado de uma manutenção emergencial.

O desabastecimento causou grandes dificuldades em tarefas cotidianas, como tomar banho e cozinhar, forçando algumas famílias a recorrer a “marmitex de fora”. A companhia chegou a utilizar 30 caminhões-pipa para atender os casos mais urgentes e admitiu que a normalização do serviço poderia levar mais tempo em ruas mais altas, devido às dificuldades de pressurização da rede.

O que diz o governo de São Paulo sobre o aumento na tarifa da Sabesp

O governo do estado, por meio da Agência de Notícias (Agência SP), enfatiza que o reajuste de 6,11% não configura um aumento real para o consumidor.

O posicionamento oficial é de que o valor autorizado pela Arsesp (Agência Reguladora) visa apenas repor a inflação acumulada no período de 16 meses (julho de 2024 a outubro de 2025), medida pelo IPCA. A Agência SP destaca que a tarifa de referência calculada ficou 15% abaixo do valor que seria praticado caso a Sabesp tivesse permanecido estatal.

O governo também ressalta que a Sabesp tem investido significativamente em São Paulo após a desestatização. Desde julho de 2024, a companhia investiu cerca de R$ 15 bilhões na ampliação e melhoria da infraestrutura de saneamento das regiões que atende, R$10,4 bilhões de janeiro a setembro de 2025, aumento de 151% em relação ao aplicado no mesmo período do ano passado.

A Secretária Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que o novo modelo de desestatização tem como pilar a “modicidade tarifária”, permitindo mais investimentos e melhorias na infraestrutura sem que isso onere o consumidor, com o uso de recursos do Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp) para viabilizar a redução.

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