Decreto publicado no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (29) confirma a informação que circulava em imagens de cartaz, reproduzido nas redes sociais. A partir de 1º de janeiro de 2026 a tarifa dos ônibus municipais de Guarulhos passa a ser de R$ 6,20, independentemente da forma de pagamento. A partir dessa data, não haverá mais valores diferentes para quem paga em dinheiro, Cartão Cidadão ou Cartão Vale Transporte. Todos pagarão R$ 6,20. Só estudantes e professores, com o Cartão Escola, terão direito ao pagamento de meia tarifa: R$ 3,10.
O aumento no valor da tarifa, de R$ 5,10 para R$ 6,20, é de 21,57%. O preço da tarifa de ônibus na cidade estava em R$ 5,10 desde janeiro de 2023. A inflação acumulada desde então, até novembro passado, é de 13,97%. Mesmo quando for somada a inflação de dezembro (que só será conhecida no mês que vem), o índice acumulado não deve chegar nem a 15%. Ou seja, bem abaixo do percentual de aumento definido agora para a tarifa de ônibus.
De acordo com o decreto, os créditos dos cartões Escolar, Vale Transporte e Cidadão (comum) serão descontados pelo valor pago na data da compra pelo usuário, até o dia 31 de janeiro de 2026. Ou seja, os usuários devem usar os créditos já disponíveis nos cartões até esta data. Depois disso, o valor cobrado passará a ser o da nova tarifa de ônibus (ou da nova meia tarifa, para o Cartão Escolar).
Justificativas da Prefeitura
Segundo os fatores listados pela Prefeitura como justificativas para o aumento, o custo total por passageiros é de R$ 8,4989 (oito reais e quatro mil, novecentos e oitenta e nove milésimos). Esse é o valor que consta da planilha de custos, usada para remuneração das empresas de ônibus que prestam o serviço público de transporte de passageiros na cidade. A diferença entre o custo apurado na planilha e o valor efetivamente pago pelos usuários é subsidiada pela Prefeitura de Guarulhos.
Entre os motivos listados pela Prefeitura, o texto do decreto também afirma que “em cumprimento à decisão judicial contida no Processo Judicial nº 1038557-12.2024.8.26.0224, a Municipalidade deve obrigatoriamente unificar os valores cobrados na tarifa municipal de transporte coletivo, para fazer jus à
isonomia no tratamento aos usuários deste serviço público”.
Ou seja, corretamente, a Prefeitura afirma que a decisão judicial neste processo apenas determina que o valor cobrado de quem usa Vale Transporte não pode ser diferente do cobrado de quem paga a tarifa em dinheiro ou com o Cartão Cidadão. Mas não define nenhum reajuste na tarifa. Ao contrário do que publicaram alguns veículos de comunicação, que afirmaram, erroneamente, que “a Justiça determinou” o reajuste da tarifa. GTD já apurou e explicou o processo e a decisão judicial em outro texto.
Em Santo André, por exemplo, a Prefeitura da cidade decidiu reduzir o valor cobrado de quem usa Vale Transporte apenas para as empresas beneficiadas por ações judiciais. As decisões da Justiça, nos casos das duas cidades, são idênticas. Em Guarulhos, o processo judicial citado pela Prefeitura beneficia as empresas filiadas a Cebrasse, entidade empresarial que deu entrada na ação judicial.
Aumento de tarifas na Grande SP
Por falar em Santo André, as prefeituras da cidade e também de São Bernardo do Campo já anunciaram que não vão reajustar as tarifas dos ônibus municipais. Em Santo André, a passagem de ônibus em 2026 continuará sendo de R$ 5,90 para pagamento em dinheiro e em cartão eletrônico comum. Para quem usa Vale Transporte, a tarifa na cidade é de R$ 7,25, com exceção de decisões judiciais específicas, que determinaram a cobrança do mesmo valor da tarifa comum.
Em São Bernardo do Campo, a tarifa em 2026 vai permanecer nos atuais R$ 5,95, para todas as modalidades de pagamento. Já em São Caetano do Sul, que adotou a Tarifa Zero, a medida deve passar a valer apenas para moradores do município, desde que previamente cadastrados. Guararema, Santa Isabel e São Lourenço da Serra são outras cidades da Grande São Paulo que adotam o programa Tarifa Zero.
As cidades de Osasco, Barueri, Carapicuíba, Jandira e Itapevi, que formam o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana (Cioeste), anunciaram reajuste na tarifa de ônibus R$ 5,80 para R$ 6,10, a partir do dia 5 de janeiro. Um aumento de 5,2%. Um reajuste acima da inflação acumulada no ano, que até novembro ficou em 4,5%.
Já na cidade de São Paulo, a tarifa de ônibus aumenta de R$ 5,00 para R$ 5,30 a partir de 6 de janeiro. O percentual de aumento da tarifa de ônibus de São Paulo é de 6%, também acima da inflação do período. A tarifa do Metrô e dos trens também serão reajustados. A partir de 6 de janeiro, a passagem no sistema metroferroviário da Grande São Paulo passa dos atuais R$ 5,20 para R$ 5,40. Um aumento de 3,85%. Abaixo da inflação estimada para o período.
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