A volta para casa, depois do trabalho, têm sido um sofrimento para muitos moradores de Guarulhos neste recém-iniciado 2026. Quem depende dos ônibus metropolitanos que saem do Terminal Armênia está enfrentando longas filas e espera maior do que o normal no final da tarde. Vários relatos do problema têm sido publicados nas redes sociais, inclusive em posts do Guarulhos Todo Dia no Instagram.
Os ônibus do Consórcio Internorte, responsável pelas linhas que ligam Guarulhos e São Paulo, não estão dando conta do número de passageiros no final da tarde. Apesar da tarifa de todas as linhas estar mais cara desde a terça-feira (06). O problema parece ter ligação com o fim da Reserva Técnica Operacional, a RTO. Desde o dia 1º de janeiro foram retirados de operação os micro-ônibus e vans da RTO, que há anos ajudavam a cumprir os horários de saída de veículos previstos para essas linhas.
O Guarulhos Todo Dia esteve no Terminal Armênia no início da noite desta quinta-feira (08), logo depois da chuva. Não encontramos uma situação tão crítica quanto nos primeiros dias da semana. No entanto, além de ouvir reclamações de usuários, flagramos um protesto em micro-ônibus que fazia parte da Reserva Técnica Operacional.
Nós entramos em contato por e-mail com o Consórcio Internorte e com a Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo). Solicitamos um posicionamento das duas entidades, mas não tivemos retorno.
Em nota enviada à TV Globo, que também tratou do problema no SPTV-2ª Edição, a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) do governo do estado afirmou que o fim da Reserva Técnica Operacional “não afetou o atendimento à população”.
O Consórcio Internorte é responsável pela operação das linhas intermunicipais na chamada Área 3 da Região Metropolitana de São Paulo, que abrange os municípios de Guarulhos, Arujá, Mairiporã, Itaquaquecetuba, Guararema e Santa Isabel. O consórcio é formado por nove empresas. Entre elas, Guarulhos Transporte, Transdutra e Vila Galvão.
A Artesp é a agência reguladora do governo do estado para a área de transporte. A agência é responsável pela fiscalização das concessionárias de rodovias, linhas ferroviárias e metroviárias, portos e aeroportos em todo estado de São Paulo. Além disso, a Artesp também foi encarregada pelo governo de gerenciar o transporte coletivo Intermunicipal e metropolitano de passageiros por ônibus. Ela substituiu a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), que foi extinta.

Qual é o motivo do fim da RTO?
A Reserva Técnica Operacional surgiu em 1999, com o nome de Ponte Orca (Operador Regional Coletivo Autônomo). O objetivo era incorporar vans e outros veículos que operavam de forma clandestina no transporte coletivo de São Paulo. Operada pela EMTU, a Ponte Orca deveria servir de reforço ao transporte intermunicipal, especialmente em horários de pico ou em regiões com baixa cobertura.
Em 2008, o sistema Orca foi integrado ao sistema oficial e passou a se chamar Reserva Técnica Operacional (RTO). Segundo a própria página da EMTU, “o atendimento à população é prestado de forma compartilhada entre a frota das empresas e a RTO na RMSP”. Ainda de acordo com a definição da EMTU, “os horários são distribuídos de forma a atender a demanda dos usuários de forma efetiva”.
No ano passado, o Supremo Tribunal Federal decidiu pelo fim da RTO. Os ministros do STF decidiram que o sistema público de transporte é concedido através de licitações e não poderia ser operado por empresas ou profissionais que não tivessem sido escolhidos por esse sistema. O STF deu prazo até o fim de 2025 para o fim da operação do RTO na Grande São Paulo. Por isso, o sistema deixou de operar a partir de 1º de janeiro de 2026.
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