O Metrô e a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) assinaram um convênio para viabilizar a implantação da futura Estação e Terminal Urbano Gabriela Mistral, na zona leste da capital. O acordo, que deve destravar o processo de desapropriação no local, é um passo fundamental para as obras de expansão da Linha 2-Verde em direção a Guarulhos. Publicado no último dia 19 no site da Companhia do Metropolitano de São Paulo, o documento define as regras para o atendimento habitacional de indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade que ocupam as áreas necessárias para a execução das obras.
O convênio foca na região conhecida como Nova Kampala, uma ocupação de alta densidade populacional localizada no Jardim América da Penha. A área é de propriedade da própria CDHU, mas sofreu um processo de reocupação a partir de 2010, o que gerou inclusive disputas judiciais de reintegração de posse ao longo da última década.
Para liberar o terreno e permitir o início dos trabalhos da Linha 2-Verde do Metrô, o poder público estadual estruturou um plano que tenta aliar a infraestrutura de transporte à assistência social.
O projeto de reassentamento foi dividido em fases, sendo a primeira etapa focada em uma área prioritária composta por 467 edificações arroladas, cuja remoção é classificada como primordial para que o Metrô execute o desvio provisório dos trilhos da CPTM e inicie as escavações. Ao todo, o mapeamento completo da CDHU identificou 2.172 edificações na localidade, apontando uma forte presença de moradias precárias de madeira e materiais reaproveitados, além de alta densidade por cômodo.

As informações sobre o convênio foram publicadas primeiro pelo site MetrôCPTM, e o Guarulhos Todo Dia consultou o documento oficial para explicar como funciona o convênio que pode destravar as obras para a Linha 2-Verde:
- O investimento total estimado para a execução das ações previstas no acordo é de R$ 155,2 milhões, valor que será repassado pelo Metrô à CDHU em quatro parcelas ao longo do contrato. O cronograma financeiro prevê aportes de R$ 46,58 milhões nos meses 1 e 13, seguidos por duas parcelas de R$ 31,05 milhões nos meses 25 e 37.
- Os recursos utilizados pelo Metrô provêm do orçamento estadual vinculado às obras da Linha 2-Verde. A CDHU fica obrigada a aplicar as verbas exclusivamente no objeto do convênio, devendo apresentar demonstrativos trimestrais sobre a aplicação financeira e o progresso das intervenções habitacionais.
- O prazo de vigência do convênio é de 60 meses, contados a partir da data de sua assinatura digital.
- O atendimento habitacional definitivo será prestado pela CDHU por meio de suas modalidades operativas regulares, o que inclui a concessão de crédito para a aquisição de unidades autônomas, cartas de crédito individuais ou atendimento em conjuntos habitacionais produzidos diretamente pela companhia.
- Enquanto as moradias definitivas não são entregues, as famílias elegíveis receberão auxílio-moradia provisório. O Metrô também assume os custos de mudança para as habitações provisórias e definitivas, além dos gastos com demolição das estruturas esvaziadas e destinação dos resíduos.
- O Metrô assume a responsabilidade total pelo gerenciamento ambiental das áreas contaminadas na região, incluindo a realização de investigações detalhadas, avaliações de risco, elaboração de planos de intervenção e a obtenção de licenças junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

Estação Gabriela Mistral
A futura estação Gabriela Mistral faz parte do plano de expansão da Linha 2-Verde, estando inserida no segundo lote de obras que conectará a zona leste de São Paulo ao município de Guarulhos. De acordo com os relatórios oficiais de empreendimentos do Metrô, a estrutura é a única da capital paulista dentro desse novo trecho que ainda não teve os trabalhos de engenharia civil efetivamente iniciados.
Atualmente, o canteiro de Gabriela Mistral registra atividades de prospecção arqueológica, procedimento obrigatório para identificar e preservar possíveis resquícios históricos no solo antes da introdução das grandes estruturas de concreto, e demolições. O atraso no início das escavações decorre diretamente da complexidade do processo de desocupação e reassentamento da favela Nova Kampala.
No local, além do acesso secundário da estação e do terminal urbano, o projeto do Governo do Estado prevê a extensão da rua Natal Basile e a construção de novas unidades da CDHU.
Linha 2-Verde até Guarulhos

A expansão da Linha 2-Verde está dividida em duas grandes etapas pelo Metrô. A primeira fase compreende o lote que vai da estação Vila Prudente até a Penha, cobrindo uma extensão de 8 quilômetros com oito novas estações, cuja previsão de entrega está fixada para 2028.
A segunda etapa, "o trecho Guarulhos", contempla o prolongamento a partir da estação Penha até a futura estação Dutra, localizada às margens da rodovia federal. Esse prolongamento acrescentará 5,8 quilômetros de extensão ao sistema metroviário e contará com cinco novas estações: Penha de França, Gabriela Mistral, Fernão Dias, Ponte Grande e Dutra.
No estágio atual, as frentes de trabalho apresentam ritmos diferenciados. Enquanto locais como Ponte Grande e a própria Gabriela Mistral dependem da liberação de terrenos, a estação Fernão Dias já avança na fase de armações e concretagem de sua estrutura. No Pátio Paulo Freire, área destinada à manutenção da frota de trens, os operários realizam a limpeza e a terraplanagem do solo.
Para os moradores de Guarulhos, o reflexo mais nítido do avanço do projeto ocorre nos arredores do Internacional Shopping, local reservado para a estação Dutra. Nesse ponto final da linha, os imóveis e comércios tradicionais desapropriados já foram demolidos e o solo passa por preparação para o início das escavações profundas.
A estação Dutra projeta uma demanda de 86 mil passageiros diários e abrigará uma futura conexão com a Linha 19-Celeste. A expectativa oficial é que o trecho completo até Guarulhos esteja concluído a partir de 2032.

