Prevista para chegar a Guarulhos, obra do Metrô causa transtornos na zona leste

Rachaduras, barulho e residências interditadas: obras da linha 2-Verde do Metrô na zona leste de São Paulo causam transtornos aos moradores. Uma das moradoras explica que não quer a obra parada, mas sim respeito com quem vive no bairro.

Vinícius Andrade

redacao@guarulhostododia.com.br

Reprodução/TV Globo

Publicado em 22/05/2024 às 12:30 / Leia em 4 minutos

Quase todo mundo gostaria de ter uma estação de Metrô bem pertinho de casa, mas as obras para o sistema de transporte metroviário não são nada fáceis e podem causar enormes transtornos. Barulho o dia inteiro, grandes rachaduras na parede e estrutura de residências afetadas. Moradores de bairros da zona leste de São Paulo, onde estão sendo construídas oito novas estações da Linha 2-Verde, tem sentido isso diariamente. De acordo com o projeto do Governo de São Paulo, inclusive, essa linha chegará até Guarulhos –o início das escavações aqui na cidade está previsto para 2025.

Falando do que já está acontecendo na capital paulista, as obras começaram no ano passado, com o equipamento chamado de Tatuzão escavando a zona leste de São Paulo. O novo trecho tem previsão de ser totalmente entregue em 2027.

Com 8,4 km de extensão, vai da Vila Prudente até a Penha, com oito novas estações: Orfanato, Santa Clara, Anália Franco e Vila Formosa têm previsão de entrega em 2026; Santa Isabel, Guilherme Giorgi, Aricanduva e Penha ficarão prontas no ano seguinte, de acordo com o projeto. Essa expansão tornará a Linha 2-Verde a mais extensa do sistema com 23 quilômetros.

Veja o tamanho do buraco que se abriu em um dos muros de casa na ZL (Foto: Reprodução/TV Globo)

Rachaduras

Para que esse prazo se cumpra, os trabalhos acontecem praticamente durante 24 horas por dia, o que causa enormes transtornos aos moradores. O telejornal SP2, da Globo, mostrou na terça-feira (21) casos de pessoas que têm enfrentado problemas.

A corretora de seguros Maria Silva na Vila Mafra mora bem ao lado de onde ficará o Complexo Rapadura, nova garagem de trens da linha. Na casa dela, um muro com fiações e ligações de gás ficou com uma rachadura tão grande que se transformou em um verdadeiro buraco (imagem acima). O gás foi fechado. Ainda nessa residência, os funcionários do Metrô precisaram escorar uma escada que corria o risco de cair por causa das rachaduras.

“Não tenho campainha porque quebrou sem a fiação. A estrutura da parede rachou, cabe quase um braço. A minha escada estava arriando e eles [funcionários do Metrô] colocaram uma estrutura. Eu não durmo mais, estou tomando calmantes. Tenho que ligar ventilador, TV e fazer um barulho alto para tentar diminuir esse ruído. Ninguém quer que a obra pare, mas que eles nos respeitem“, explicou Maria Silva ao repórter Gianvitor Dias, da Globo.

Na Vila Invernada, que fica na região do bairro Anália Franco, imóveis foram interditados a pedido do Metrô por causa do tamanho das rachaduras que se formaram. Não há previsão de liberação dessas casas.

Barulho e problemas no asfalto

Alguns moradores da região mudaram os lugares onde dormem e trabalham dentro de casa para cômodos que ficam um pouquinho mais distantes do quebra-quebra. Ainda assim, não resolve muito. “Eles não param, o barulho fica 24 horas, sábado, domingo e feriados. O barulho fica insuportável”, disse o empresário Zivko Zanetic, que também tem uma casa perto de onde acontecem as obras.

A circulação de caminhões nas ruas residenciais tem causado problemas no asfalto e no sistema de esgoto de algumas vias.

Asfalto de rua residencial, onde aumentou a circulação de caminhões

Essa obra deve chegar a Guarulhos a partir do ano que vem, segundo planejamento do Governo de São Paulo. Depois da estação Penha, mais cinco estações da Linha 2-Verde serão construídas: Penha de França, Gabriela Mistral, Fernão Dias, Ponte Grande e Dutra, além do Pátio Paulo Freire.

O que diz o Metrô

Em nota enviada à Globo, o Metrô afirmou que acompanha a situação de todos os imóveis no entorno do canteiro de suas obras. Faz medições do solo e vistorias constantes. Além disso, disse que adota medidas para reduzir os ruídos, inclusive rota definida de caminhões, uso de barreiras acústicas e horários adequados para execução da obra.

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