Dezenas de pombos estão presos no terminal de ônibus São João. Eles ficaram retidos por telas colocadas abaixo do telhado do terminal. Alguns estão já estão mortos, porque, como não conseguem sair, eles não têm como buscar alimentos. Outros se debatem, tentando encontrar uma saída. As telas foram colocadas para evitar a formação de ninhos no local, mas quem instalou o equipamento não se preocupou em retirar as aves.
Uma reportagem do programa Balanço Geral, da TV Record, mostrou a situação e ouviu os usuários do terminal sobre o problema. As imagens mostram pombos debatendo-se nas redes, enquanto alguns já estão mortos devido à falta de recursos básicos.
A reportagem questionou a Prefeitura de Guarulhos sobre o problema. O retorno enviado para a TV Record: “a Prefeitura de Guarulhos informou estar monitorando a situação e notificou a empresa responsável pela instalação das telas. O Centro de Controle de Zoonoses foi acionado para orientar os responsáveis”. Nós também questionamos a Prefeitura, para saber se havia alguma atualização sobre a situação dos animais, mas não tivemos resposta.
O problema da proliferação de pombos é antigo no Terminal Urbano São João. Uma rápida pesquisa no Google permite encontrar queixas dos usuários sobre a grande presença das aves. As fezes dos pombos e o contato muito próximo com as aves ameaça a saúde pública. Pombos são transmissores de doenças graves, como criptococose, histoplasmose e salmonelose.
A colocação de telas poderia ser uma solução para afastar as aves do telhado do terminal. Mas o descaso na instalação, sem a preocupação com a retirada das aves antes da colocação das telas, transformou a solução em um novo problema. Além da crueldade com os pombos, o fato deles estarem presos concentra a produção de fezes no local, além das secreções dos animais mortos. A situação coloca os usuários do terminal em risco ainda maior de contaminação.
Controle de pombos em Guarulhos: problema antigo
Guarulhos foi uma das primeiras cidades a adotar uma lei, em 2015, que proibiu que pombos sejam alimentados em espaços públicos. Na época, a lei estabeleceu multa de R$ 397 para os infratores. O autor da lei, vereador Toninho da Farmácia, defendeu a medida como forma de combater a proliferação de pombos na cidade. Não se tem notícia sobre a fiscalização para o cumprimento dessa lei.
Em 2018, a Prefeitura de Guarulhos contratou a empresa Robtox para a instalação de um polêmico equipamento que emitia ondas eletromagnéticas para espantar pombos, em 20 escolas municipais. Em 2022, a prefeitura chegou a pagar R$ 4 milhões para uma empresa de Vargem Grande Paulista, contratada para o controle da presença de pombos nas escolas municipais. Desta vez, o combate às aves previa a instalação de telas.
Também em 2022, o problema da proliferação de pombos atingiu a sede da Câmara Municipal. Foi contratada uma empresa para “serviços de limpeza, dedetização, eliminação de ovos e ninhos, realocação dos pombos e acomodação de telas de náilon em toda a extensão dos galpões, acima da estrutura de iluminação”. Mas um vereador chegou a acusar a Câmara de usar veneno como método de afastamento das aves e de contratar uma empresa para matá-las. O serviço foi paralisado.
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