A obra de construção da Linha-19 Celeste, que chegou a fazer parte da lista de privatizações do governo de São Paulo, será executada pelo próprio Metrô. Nesta terça-feira (10), o poder público estadual informou que a empresa está elaborando o edital para iniciar ainda no primeiro trimestre de 2025 o processo licitatório de contratação do projeto executivo, implantação de sistemas e das obras civis de 17,6 km de vias, 15 estações e um pátio de manutenção.
Com esse novo cenário, agora já existem prazos mais objetivos sobre quando pode ficar pronta a linha que pretende ligar o Anhangabaú (no centro de São Paulo) ao Bosque Maia (em Guarulhos).
A meta do Metrô é assinar os contratos e começar a elaboração dos projetos executivos até o fim de 2025, ou seja, daqui a um ano. Sendo assim, as obras começariam em 2026. Após o início da construção, as obras devem ser concluídas em até 72 meses –ou seja, até 2032.
O Guarulhos Todo Dia produziu um vídeo longo explicando detalhadamente onde a Linha 19-Celeste vai passar –quando esse vídeo foi gravado, ainda não havia a informação do início do edital do Metrô.
O orçamento estimado para a Linha 19-Celeste é de R$ 19,5 bilhões, em investimento que será executado gradualmente ao longo de todo o período de implantação e abrangendo as obras civis, além de outras etapas que serão contratadas futuramente, como fornecimento de trens e sistemas de controle, bem como para as desapropriações necessárias.
O fato de a obra ser executada pelo Metrô, no entanto, não impede a Linha 19-Celeste de ser privatizada. O ramal pode ser concedido à iniciativa privada via leilão enquanto a obra estiver acontecendo ou depois de pronta.
Entenda a licitação
Essa licitação tem como objetivo contratar em três lotes, para realizar em conjunto o projeto executivo, que fornece o detalhamento técnico da construção, e a obra civil.
- 1º lote – Cinco estações e seis poços de ventilação (VSE), entre Bosque Maia e Itapegica;
- 2º lote – Cinco estações e seis VSEs entre Jardim Julieta e Vila Maria, além do Pátio Vila Medeiros;
- 3º lote – Cinco estações e seis VSEs de Catumbi a Anhangabaú.
A contratação também vai promover as adequações nas estações São Bento (Linha 1-Azul) e Anhangabaú (Linha 3-Vermelha), que serão conectadas à futura linha, além do fornecimento e implantação dos sistemas auxiliares, que envolvem escadas rolantes, elevadores, ventilação e detecção de incêndio, bem como energia para o funcionamento das estações.
A Linha 19-Celeste
A futura Linha 19-Celeste será uma importante ligação de Guarulhos, que é o segundo município mais populoso de São Paulo. Quando pronta, a linha terá 17,6 km de extensão e 15 estações e sua operação será definida futuramente pelo Estado.
A estrutura contará com 31 trens que vão transportar 630 mil passageiros por dia, que utilizarão a conexão com outras três linhas de metrô (1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha), além da possibilidade de futuras conexões com linhas de trem.
Projeto básico
A implantação da 19-Celeste já conta com o projeto básico, que foi concluído pelo Metrô em 2024, fornecendo os subsídios para a elaboração do edital das obras e sistemas. Esse projeto considerou um inédito estudo mercadológico feito pelo Metrô que agregou na concepção das estações as melhores formas de exploração comercial e imobiliária, em acordo com a região de cada estação, de forma a atrair investimentos e receitas não-tarifárias, promovendo também mais comodidade aos passageiros com serviços agregados.
Em outubro, o secretário de Parcerias em Investimentos Rafael Benini concedeu entrevista ao site Diário dos Trilhos e explicou que o governo de São Paulo ainda não havia definido se as obras seriam realizadas pela iniciativa privada ou pelo próprio Metrô.
“O Metrô continua o projeto dele. A gente espera que o Metrô consiga executar o projeto. Se ele conseguir executar, melhor. Mas a gente também tem o nosso projeto [de privatização]. Lá no fim [do prazo de estudo], quando tiver um [projeto] contra o outro, o governador [Tarcísio de Freitas] decide: ‘não, eu quero ir para esse lado, quero ir para aquele’. Por exemplo, na Linha 17, a gente tentou [continuar a obra pela iniciativa privada], a gente avançou com o nosso projeto, eles avançaram com o deles, e o governador decidiu ir pelo projeto do Metrô, é muito dinâmico isso”, disse o secretário.
O projeto básico é um documento que detalha por onde a Linha 19-Celeste vai passar e quais serão as estações, além de conter detalhes técnicos para os serviços de engenharia e as obras.
*Com informações da Agência SP