Longas filas se formaram no Aeroporto de Guarulhos na última quinta-feira (21), para passar na inspeção por raios X. No dia seguinte, o portal Metrópoles divulgou a informação de que agentes da TSA, a agência responsável pela segurança nos aeroportos dos Estados Unidos, teriam se reunido naquela semana com representantes do Aeroporto de Guarulhos. O objetivo do encontro teria sido acertar um acordo para medidas mais rigorosas de controle de passageiros em voos internacionais. Na coluna, a jornalista Andreza Matais relaciona esse acordo com a piora recente na relação entre Brasil e Estados Unidos.
Uma das medidas mais rigorosas teria sido adotada de imediato: em Guarulhos começou a ser exigido o cumprimento de regra da Anac para o transporte de líquidos e cremes. Segundo a resolução 515 da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), todos os líquidos transportados devem estar em frascos com até 100 ml e estes frascos deverão ser colocados em uma embalagem de plástico transparente, que possa ser fechada (tipo zip lock) e com capacidade máxima de um litro.
Os frascos devem estar com folga dentro da embalagem fechada e só é permitida uma embalagem plástica desse tipo por passageiro. As embalagens devem ser apresentadas para inspeção visual, no ponto de inspeção de embarque de passageiros. Exatamente no local em que se formaram filas na semana passada.
O que diz a GRU Airport
Segundo nota enviada pela GRU Airport, “desde terça-feira (19), estão sendo instalados novos equipamentos de segurança no Terminal 3 e sendo realizado treinamento das equipes que vão operá-los. Essa modernização impactou em um alongamento pontual das filas na última quinta-feira (22), tendo a operação sido normalizada no dia seguinte”. Ou seja, segundo a GRU Airport, as filas formadas no embarque não teriam relação nenhuma com “o saquinho zip lock” e a situação já teria sido normalizada.
Guarulhos Todo Dia também questionou a GRU Airport sobre a informação de presença de agentes da TSA e de um acordo para adoção de medidas mais rígidas no embarque de voos internacionais. A GRU Airport não respondeu sobre esse assunto.
Sobre a exigência de cumprimento da “regra do zip lock”, a GRU Airport disse que “não há mudanças nas regras de inspeção de bagagens de mão para voos internacionais”. Segundo a administradora do aeroporto, a resolução 515 da Anac vale desde 2019. No entanto, não é o que dizem passageiros frequentes de viagens internacionais e especialistas em turismo.
Segundo a revista Viagem & Turismo, “a regra de que os frascos devem ter no máximo 100 ml sempre foi aplicada, mas nem sempre houve a exigência de que todos os líquidos estivessem acomodados dentro do saquinho”. Eu mesmo posso dizer que em viagens recentes não foi exigida a inspeção de sacos plásticos com frascos de líquidos durante a passagem pelo raio X. Mesmo outras normas rígidas adotadas logo após o atentado de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, como passar pelo raio X sem os sapatos, há muitos anos deixaram de ser exigidas.
Mas, independentemente dos motivos da atual cobrança do cumprimento da regra que existe desde 2019, se você tem viagem programada é bom saber o que diz a regra da Anac. E, na dúvida, consultar a companhia aérea em que vai viajar. A consulta à companhia aérea é o principal conselho que a GRU Airport apresenta em seu site sobre dúvidas em relação ao que pode ou não ser embarcado na bagagem dos seus voos. Sobre a regra oficial, ela está disponível, completa, nesta página do site da Anac.
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