O prefeito Lucas Sanches e a Prefeitura de Guarulhos anunciaram na quarta-feira (2), Dia Mundial de Conscientização do Autismo, que o município criará um Centro de Referência do Autismo no Jardim Ponte Alta. Essa é uma excelente notícia e que desperta total interesse de famílias com crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O anúncio do poder executivo guarulhense, no entanto, deixou muitas perguntas sem respostas.
Já existe um orçamento definido para a obra? O financiamento será 100% da Prefeitura de Guarulhos ou será necessário apoio do governo estadual ou federal? Afinal, a prefeitura tem encontrado dificuldades para resolver problemas básicos em áreas como a saúde e a própria educação, que registra uma fila de quatro mil crianças à espera de uma vaga na creche. Tem alguma previsão para o início da construção do centro de referência? E o mais importante: quando esse importante equipamento ficará pronto e à disposição da população? Ainda não há resposta para nenhuma dessas perguntas.
A reportagem do Guarulhos Todo Dia enviou esses questionamentos para a prefeitura no fim da tarde de quarta-feira. Mais de 24 horas depois, as respostas ainda não chegaram. Se chegarem, faremos uma nova reportagem para divulgar os prazos estabelecidos pelo poder público.
Procuramos também algum registro de licitação aberta no Portal do Transparência relacionado ao Centro de Referência do Autismo em Guarulhos ou então um Projeto de Lei encaminhado para a Câmara Municipal. Até o momento, nada.
O que se sabe sobre o Centro do Autismo em Guarulhos
Os estudos para a criação do Centro de Referência do Autismo foram conduzidos pela Secretaria de Educação municipal. A proposta apresentada é a para a construção de um equipamento que atenda alunos com autismo matriculados nas escolas da rede municipal. Esse é um detalhe importante: segundo o projeto, o equipamento estará disponível apenas para crianças que estudam em instituições da prefeitura.
O aluno autista frequentará o espaço no contraturno escolar, ou seja, quem estuda de manhã poderá ir para o centro durante a tarde –e vice-versa. A ideia é que o local tenha uma equipe de especialistas de diversas áreas, como psicólogos, psicopedagogos, educadores físicos, professores de artes e música, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais que vão garantir atendimento de qualidade e especializado.
Já existe um projeto básico de arquitetura e engenharia para o espaço. Lucas Sanches exibiu uma planta do projeto no vídeo publicado nas redes sociais e a assessoria de comunicação compartilhou algumas imagens que mostram a projeção de como ficará a estrutura.
O Centro de Referência do Autismo contará com salas de psicomotricidade e estimulação cognitiva, equoterapia, hidroterapia com piscina aquecida, quadra para atividades físicas, ateliê de artes e tecnologia, jardim multissensorial, musicoterapia, além de espaço para a formação de professores e rodas de conversa com as famílias.
Em qual lugar vai ficar?
O Centro de Referência do Autismo está previsto para ser construído no lugar onde ficava a sede da ADPM, Associação Desportiva Polícia Militar do Estado de São Paulo. A associação devolveu o terreno para a prefeitura em 2018. Desde então, o espaço está sem uso. É uma área de aproximadamente 35 mil metros quadrados e fica no Jardim Ponte Alta.
Projeto precisa sair do papel
O anúncio da construção de um equipamento desse porte e com essa qualidade na periferia de Guarulhos é uma excelente notícia. O vídeo que Lucas Sanches publicou sobre o tema recebeu mais de 640 mil visualizações somente no Instagram até a publicação deste texto, com mais de 23 mil curtidas e milhares de comentários parabenizando o prefeito pela iniciativa.
Pouca gente deve se lembrar, mas a construção do Centro de Referência do Autismo foi um compromisso assumido por Lucas Sanches em seu plano de governo durante a campanha de 2024. Agora que o anúncio foi feito aproveitando a data de 2 de abril, o avanço desse projeto tem que acontecer e as informações sobre a construção precisam ser divulgadas. Afinal, famílias com crianças autistas precisam saber se o equipamento estará pronto em 2026, 2027 ou… quando?
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