A pedido de construtoras, Metrô atrasa licitação da Linha 19-Celeste mais uma vez

Empresas apontaram a complexidade multidisciplinar do projeto como justificativa para solicitação de adiamento

Vinícius Andrade

redacao@guarulhostododia.com.br

(Foto: Divulgação/PMG)

Publicado em 18/07/2025 às 10:56 / Leia em 4 minutos

O Metrô anunciou um novo adiamento para as licitações da aguardada Linha 19-Celeste, que conectará o centro de São Paulo a Guarulhos. Publicado no Diário Oficial nesta sexta-feira (18), o cronograma foi alterado pela segunda vez (resultando na terceira data-alvo para as propostas), passando as sessões públicas do final de julho para o mês de setembro.

As propostas, que estavam inicialmente previstas para junho, foram adiadas para julho, e agora, novamente, para setembro. Atrasos como este não são incomuns em grandes projetos de infraestrutura, mas geram um efeito de bola de neve no cronograma.

A prorrogação atende às solicitações das construtoras interessadas, que apontaram a complexidade multidisciplinar do projeto como justificativa. Para auxiliar na elaboração das propostas, novas planilhas de serviços e preços foram disponibilizadas, substituindo as versões anteriores do edital.

A Linha 19-Celeste é um empreendimento ambicioso, que se estenderá por 17,6 quilômetros e contará com 15 estações, cinco delas localizadas em Guarulhos. Ela ligará o Bosque Maia, em Guarulhos, ao Anhangabaú, na região central da capital paulista. O projeto inclui a construção de um pátio para estacionamento e manutenção dos trens e a aquisição de uma frota de trens totalmente nova. Estima-se que a linha terá capacidade para atender aproximadamente 630 mil passageiros diariamente.

A complexidade do projeto se reflete na divisão do processo construtivo em três lotes, que deverão ser executados simultaneamente para agilizar a obra. Cada lote envolve a execução de obras civis, a elaboração do projeto executivo, obra bruta, arquitetura, via permanente, e o fornecimento e implantação de sistemas de alimentação elétrica e auxiliares. As novas datas para as licitações são as seguintes:

  • Lote 01: Abrangendo o trecho entre o VSE-01 e a Estação Jardim Julieta (exclusive), a sessão será realizada em 22 de setembro de 2025.
  • Lote 02: Incluindo o trecho da Estação Jardim Julieta (inclusive) até a Estação Vila Maria (inclusive), a sessão ocorrerá em 23 de setembro de 2025.
  • Lote 03: Compreendendo o trecho da Estação Vila Maria até o VSE-18 (após o Bosque Maia em Guarulhos), a sessão está marcada para 24 de setembro de 2025.

O projeto já se encontra na fase de desapropriações de imóveis e terrenos, passo que antecede o início das obras. Com o projeto básico já concluído, a previsão é que os contratos sejam assinados entre o final de 2025 e início de 2026, com as obras começando entre 2026/2027 e conclusão estimada em até 72 meses (seis anos).

O projeto da Linha 19-Celeste

A Linha 19-Celeste passará pela zona norte da capital, conectando o centro da capital à região central de Guarulhos. Ela se integrará a importantes linhas existentes do Metrô, como a Linha 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha, partindo do Anhangabaú, junto ao Terminal Bandeira de ônibus urbanos. Além disso, a estação Cerealistas, no bairro do Pari, poderá contar com integração à Linha 11-Coral da CPTM.

Reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico citou as empresas que estão analisando de perto a concorrência e que, inclusive, já participaram de visitas técnicas, como:

  • Acciona em parceria com a Construcap
  • Mendes Júnior em conjunto com a Power China
  • Sacyr ao lado da Engibras
  • Andrade Gutierrez.
  • Álya (representando a Queiroz Galvão)
  • OHLA

Pelo menos 15 grupos já demonstraram interesse ativo. O valor total do empreendimento é estimado em cerca R$ 20 bilhões, englobando não apenas as obras, mas também a sinalização e a aquisição dos futuros trens.

As principais preocupações apontadas por fontes do setor incluem a incerteza quanto ao financiamento para as construtoras; dúvidas sobre a real disponibilidade de recursos públicos para a obra até 2031; críticas sobre as atestações técnicas exigidas pelo edital, consideradas muito restritivas; e apontamento de possíveis erros na planilha de quantidades, utilizada para o cálculo do orçamento.

Em resposta a essas preocupações, o diretor de engenharia e planejamento do Metrô, Roberto Torres, disse ao Valor Econômico que os recursos para a construção virão do orçamento do Estado, que, segundo ele, não apresenta problemas de caixa. Ele destacou que já há R$ 400 milhões reservados para desapropriações neste ano, e uma reserva similar é esperada para 2026.

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