Fechado desde janeiro por problemas estruturais, o estádio do Canindé vai passar pela maior transformação de sua história. A atual casa da Associação Portuguesa de Desportos será demolida para virar uma arena multiuso, com gramado sintético e espaço para shows. O empreendimento contará ainda com um hotel de 220 suítes, espaço para eventos, open mall (shopping com espaço a céu aberto) e espaço para 3.400 vagas de estacionamento. O custo estimado é de R$ 700 milhões, com previsão de ficar pronto a partir de 2028.
O Guarulhos Todo Dia teve acesso às imagens do projeto, assinado pelo escritório do arquiteto Jayme Lago Mestieri, e compartilha as fotos neste texto. As obras e o empreendimento serão gerenciados pela Revee, empresa especializada em soluções de infraestrutura para o entretenimento. A empresa será responsável pela administração do estádio por 50 anos.
A Reeve faz parte da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) da Portuguesa. Os sócios do clube aprovaram e homologaram na última semana a proposta de R$ 1 bilhão dos investidores Tauá Partners, XP Investimentos e Revee para comandar a Lusa. Agora, assim como acontece com clubes como Botafogo e Bahia, a Portuguesa tem dono.
Como está o Canindé hoje?
O terreno do Canindé foi adquirido no ano de 1956 pela Portuguesa, que deu início ao sonho de construção de um estádio próprio. Em 1972, o plano foi concluído com a inauguração do Estádio Independência, atual Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, durante partida realizada contra o Benfica de Portugal.
O empreendimento fica localizado às margens da Marginal Tietê, perto da estação Armênia e do Terminal Rodoviário do Tietê, com dois grandes shoppings (o Center Norte e o Shopping D) e o Sambódromo do Anhembi nas proximidades.
Se o Canindé não estivesse com graves danos estruturais, a capacidade seria para cerca de 15 mil torcedores. No entanto, os próprios donos do clube decidiram fechar o estádio para jogos em janeiro deste ano. O motivo? A necessidade de uma reforma urgente. A parte da marquise tem sério risco estrutural, além de problemas nas cabines de imprensa e nos camarotes. O Canindé agora só vai reabrir depois de virar Arena Portuguesa.

Projeto da Arena Portuguesa
A futura Arena Portuguesa tem como referência estádios europeus, especialmente em Portugal, que passaram por processos de renovação e ampliação. Essas arenas, projetadas com foco em inovação, conforto e segurança, servem como inspiração para a transformação do novo Canindé. Será feito para ter jogos de futebol, mas não somente isso: estará pronta para receber shows e eventos de diferentes tamanhos.
Para as partidas da Lusa, a capacidade será para 30 mil torcedores. Serão construídos 80 camarotes, as arquibancadas terão cobertura e o gramado será sintético. Em entrevista ao jornal Estadão, Luís Davantel, CEO da Revee, diz que seria inviável manter uma grama natural de boa qualidade em meio a tantos eventos. O sistema para mudança entre eventos será avançado.
“O projeto tem um corte na arquibancada para deixar toda estrutura pronta para outros eventos, que não seja futebol. Eu posso ter um show no sábado à noite e um jogo domingo de manhã porque a desmontagem é fácil”, explicou o executivo.
O clube social da Portuguesa está incluído na modernização. Pelo acordo, 100% da bilheteria será revertida à agremiação, que terá direito a uma porcentagem de todas receitas geradas na arena, incluindo alimentação, venda de camarotes e naming rights.
Confira imagens da parte de dentro do projeto do novo estádio do Canindé:




Empreendimento multiuso
Enquanto a capacidade para jogos de futebol será para 30 mil torcedores, em shows a arena conseguirá receber um público de até 50 mil pessoas. O objetivo é que o empreendimento tenha movimento mesmo nos dias sem eventos, com um hotel de 18 mil quadrados e 220 suítes, além de um shopping anexo de 22 mil metros quadrados. O complexo terá restaurantes, lojas e locais para escritórios de coworking. As 3.400 vagas de estacionamento ficarão em um edifício garagem. Haverá ainda espaços para eventos.
Assim como acontece na Allianz Arena, na Alemanha, o novo Canindé terá painéis de LED externos que podem mudar de cor de acordo com o evento.
Inicialmente, o custo estimado da obra era de R$ 500 milhões, mas, com a inclusão do hotel no projeto do complexo da Portuguesa, o valor saltou para cerca de R$ 700 milhões.
E quando vai ficar pronto o novo Canindé?
O projeto ainda precisa ser aprovado por diferentes órgãos da Prefeitura de São Paulo antes de os trabalhos serem iniciados. A expectativa da Reeve é começar a demolição até o fim deste ano. A obra está prevista para durar 36 meses (três anos). A nova Arena Portuguesa não deve ficar pronta antes de 2028.
Comparando com outros projetos recentes de São Paulo, as obras que transformaram o antigo Parque Antarctica/Palestra Itália em Allianz Parque duraram quatro anos, tempo semelhante aos trabalhos no Pacaembu, que começaram em junho de 2021 e ainda não foram totalmente concluídos –o novo hotel do estádio privatizado, por exemplo, ainda não está pronto.
Abaixo, fotos de como vai ficar a Arena Portuguesa após as reformas do estádio do Canindé:









